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Falar de felicidade

No dia 31 de Maio, a propósito do lançamento do Audiobook do livro da Rossana Appolloni, com a qual faço o podcast Ousar Ser, houve um pequeno debate sobre o que é isso de se ser feliz, e o que é a felicidade para as várias pessoas presentes.

As pessoas presentes para além de mim, foram a Rossana Appolloni, a Joana Rita Sousa, o Miguel Gizzas, o António Pacheco, e o Zé Pedro Cobra. De todos eles só ainda não entrevistei o Zé Pedro, mas conto fazê-lo brevemente.

Foi um momento diferente para mim, não ser o entrevistador, e passar para o lado de quem exprime a sua opinião, a sua experiência, e o seu entendimento do que é isso de se ser feliz.

Serviu também para perceber que já estou mais à frente do local onde comecei há 19 meses, quando dei início ao Falar Criativo, o que foi um bálsamo, ver que conheci pessoas fantásticas nestes meses, e que de alguma forma contribuí com valor na vida de outras pessoas, que estavam presentes e que seguem o que faço.

Outra coisa de salientar é que fui eu quem gravou, editou, masterizou e finalizou o Audiobook, excelentemente narrado pela Rossana. Eu não tive formação nesta área, e fiquei muito contente com o resultado final do que produzi.

Aconselho que comprem o livro, e se puderem também o Audiobook, o livro é bom, e o audio só o complementa.

A felicidade passa por estas pequenas coisas, quem encontramos pelo caminho e aquilo que aprendemos e partilhamos.

Os Beatles

O que seria dos Beatles se começassem agora?

Os Beatles soam em banda sonora de fundo cantando “…good morning, good morning…”, e eu pus-me a pensar numa questão.

Será que os Beatles seriam “OS BEATLES”,  banda que todos conhecem e que de alguma forma mudaram a música para sempre, se tivessem vivido nos dias de hoje?

Uma ressalva desde já, antes que me comecem a bater, eu sou fã dos Beatles, por isso acompanhem-me neste raciocínio.

Hoje em dia qualquer banda que esteja a começar, além das bandas que também elas estão a começar e as bandas que já cá estão, tem de competir com toda a música que temos para trás.

Pensem nisto, quando os Beatles surgiram quantas músicas existiam gravadas e disponíveis para ser ouvidas e passadas na rádio, desde que se inventou a gravação musical?

Qualquer pessoa hoje em dia, ou quase todas as pessoas, têm acesso a toda a música que já foi feita, seja ela de que ano ou género for.

Os Beatles, os Rolling Stones, o Elvis, e todos esses artistas, são concorrentes pela atenção musical que uma banda que começa necessita.

Ter um número grande êxitos à escala mundial torna-se cada vez mais difícil, daí ser a música mais pop,  com maior máquina de marketing por trás, ou até uma história associada que seja mais comovente, a escolhida para ouvir.

Quantas rádios existiam na altura dos Beatles? Quantos canais de televisão? Muito menos do que agora, os canais de acesso ao público aumentaram, o público aumentou, mas a dispersão foi a que aumentou mais.

Um êxito vendia muitos discos pela escassez de alternativas, hoje em dia por muito boa que seja a música, terá sempre de competir com a segunda metade do século XX e as primeiras décadas do século XXI.

 

Inspiração e Cócó

  •  Inspiração – 1.acção através da qual o ar entra nos pulmões 2.insuflação divina 3.faculdade criadora 4.acção de inspirar algo a alguém;influência 5.sugestão;lembrança 6.ideia ou pensamento súbito.
  • Expiração – 1.acto de expirar 2.fenómeno mecânico da função respiratória, que consiste na expulsão do ar (que tinha sido inspirado) dos pulmões para o exterior 3.termo de um período convencionado

Como se pode ler através das definições das duas palavras, o acto de inspirar tem no caso da criatividade uma maior relevância, do meu ponto de vista, pois a expiração é o resultado daquilo que foi inspirado e depois processado.

A ideia de escrever este post surgiu porque ouvi alguém a falar da importância que a qualidade daquilo que “inspiramos” tem na qualidade daquilo que “expiramos”.

Isto é, se só consumirmos ar poluído, música de má qualidade, mau cinema, mau jornalismo, intrigas e fast food, o resultado é que aquilo que produzimos será também de má qualidade (peço desculpa pela imagem escatológica que acabei de colocar nas vossas cabeças, mas o resultado é de facto, cócó).

Por outro lado se deliberadamente e conscientemente dermos prioridade a inspirar ar puro do campo (ou praia para aqueles que preferirem), música de qualidade, estar com pessoas positivas, e ingerir comida saudável, o resultado será sem dúvida bem melhor (sei que na comida saudável também resulta em cócó, mas é a única desta lista).

Resumindo e concluindo, por estas razões, cultivem o hábito de ser selectivos com o que consomem, escolhendo não ler imprensa sensacionalista, não responder nem dar importância a pessoas negativas, ver os melhores filmes que conseguirem, ler livros que vos emocionem, e evitando a fast food.

Embora simples não é fácil, grande parte daquilo que temos contacto no nosso dia-a-dia é de má qualidade, se não formos criteriosos, e se activamente não procurarmos fontes de inspiração saudáveis é facilmente viramos água parada e mal-cheirosa.

Temos de descobrir as fontes que fazem sentido para nós, e reservar tempo para as consumirmos, e da minha experiência aquilo que vos posso dizer, é que quando como rosas, cheira menos mal.

Exemplos prácticos:

-15 minutos de leitura ao deitar ou ao acordar

-15 minutos de passeio ao ar livre

-Telefonemas e encontros com pessoas que nos fazem sentir bem

-1 bom filme por semana

-Evitar o pão e comer mais saladas

-15 minutos de escrita

-10/15 minutos de meditação

-20 minutos de exercício físico

Não é preciso fazer todos, é melhor escolher dois, testar durante duas semanas e analisar o resultado. A seguir manter esses, testar novos, e até acrescentar outros.

E vocês têm rotinas e hábitos que vos ajudam a “expirar melhor”?

Sugestões aqui nos comentários são muito bem-vindas.

Passatempo Não Faço Ideia

Uma vez que gostei tanto do livro do Vasco Durão, o “Não Faço Ideia” decidi oferecer duas cópias autografadas a dois ouvintes do podcast.

Para se habilitarem só têm de enviar a resposta a duas perguntas para o email rui@falarcriativo.com.

  • Qual o episódio que mais gostaram do Falar Criativo até agora, e porquê?
  • Porque é que acham que deveriam receber o livro?

A data limite para o envio de respostas é o dia 2 de Maio, anunciarei os vencedores na página do Facebook e no próximo episódio do podcast.

Fico então a aguardar as vossas respostas criativas.

O artista empresa

Neste breve video o Jonathan Fields, fala numa coisa que penso ser o problema de muitos artistas, ou pessoas com ideias, focarem-se apenas e somente na sua arte. Nos dias de hoje, e se calhar desde sempre, os artistas que não tiveram vidas miseráveis foram aqueles que foram públicos com o seu trabalho, que desenvolveram as capacidades de criar um público, seguidores, fãs. Acho que não temos de ter vergonha de incluir no nosso processo criativo um lado comercial, um espaço que considera quem é o meu público e de que forma aquilo em que acredito se cruza com aquilo que os outros buscam.

Ainda no outro dia falava com uma futura convidada do falarcriativo, a Joana Barra Vaz,  sobre aquilo que considero ser o segredo da máquina Toni Carreira.

Goste-se ou não da música que ele faz, aquilo que ele faz e muito bem é dar-se ao trabalho de estar, caso seja necessário, 2 a 3 horas a dar beijinhos e autógrafos a todas aquelas mulheres que formam o seu público fiel que deseja retribuir sob a forma de compra dos albúns, dos bilhetes para os concertos, e todo o merchandising, toda a atenção que o Toni Carreira dispensa com elas.

Há uns anos atrás o Kevin Kelley, escreveu um artigo que acho importante as pessoas criativas, ou aspirantes, lerem e reflectirem na ideia de que não precisamos de 3 milhões de seguidores, mas apenas 1000 fãs incondicionais, aquilo que ele chamou de “1000 True Fans.”

Não digo que façam o que os outros esperam de vocês, cruzem, como já disse atrás, aquilo em acreditam e aquilo que outros procuram. Numa altura em que a internet nos disponibiliza uma enormidade de públicos, procurem o vosso, ou melhor ainda, mostrem-se sem medos, sem vergonhas, de forma a que o vosso público vos encontre facilmente.

Passo seguinte, é criar oportunidades de os vossos fãs vos “darem” dinheiro. O Toni Carreira ao dar tantos concertos, ao lançar DVD’s, camisolas, etc, está a dar uma chance a que gastem dinheiro com ele. Se não criarem “produtos”, entenda-se, concertos, quadros, camisolas, porta-chaves, e-books, etc, os vosso fãs, mesmo que queiram não têm maneira de retribuir aquilo que a vossa arte faz por eles, seja fazê-los pensar ou passar um bom bocado a consumir aquilo que produzem.

Eu próprio ainda não o fiz, mas tenho ideia de o fazer, e sei que o devo fazer, não significa que todas as pessoas que ouvem o podcast ou seguem o blog vão gastar dinheiro comigo, mas ao falarem do podcast aos amigos, estão a criar valor para mim, o converter esse valor em dinheiro é uma consequência, não o objectivo principal.

Nas palavras do Chris Brogan na sua última newsletter:

“O Dinheiro é a sombra. O Sol é a tua comunidade e aquilo que fazes para a servir.”