episódio 34 Sandro William Junqueira

O convidado desta semana é o Sandro William Junqueira, escritor, que recentemente publicou um livro, o “No Céu Não Há Limões”. Tomei contacto com o Sandro e o livro através de um anterior convidado, o Vasco Durão, ao referir que iria haver uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa.

Peguei na família e e lá fomos nós passear.

Comprei o livro e dirigi-me ao Sandro para o dito autógrafo, mas também já com ela fisgada de o convidar a passar no Falar Criativo. Disse logo que sim, mas que vivia em Portimão, e aí volta o Skype a entrar em acção. Com a ajuda do filho do Sandro, o Guilherme, que emprestou o computador ao pai, conseguimos estabelecer contacto.

Quando a nossa conversa começou senti alguma reserva nas respostas, não que não estivesse a responder ao que lhe perguntava, mas sentia um certo tatear de território desconhecido, um “vamos lá ver o que vai ser esta entrevista”. Normalmente este tatear dos convidados é feito pessoalmente, antes do gravador estar ligado, mas no Skype perde-se essa ambientação.

Á medida que a conversa começou a fluir, e o Sandro estava mais à vontade, a intensidade do que era dito, e como era dito, aumentou.

Acabei esta semana de ler o livro, e daquilo que fiquei a conhecer do Sandro, os livros têm muito a ver com o processo dele, é um processo de verdade, de respeito pelo livro e pela escrita.

Foi o primeiro escritor que entrevistei e acho que tive muita sorte com a estreia, pois confirmou de alguma forma ideias que eu tinha sobre a importância do fluxo do subconsciente na construção das narrativas, de mundos, ou como o Sandro diz, de um território ficcional que ele está a construir com os seus livros.

O Sandro relata que a escrita para ele é algo muito intenso, até físicamente, que quando acaba um livro fica esgotado, exausto mesmo.

Isto serve de exemplo a que quando fazemos algo que tem tanto de nós, só pode correr bem. Todos temos algo de único para dizer, e muitas vezes o facto de não nos entregarmos de corpo e alma, ao tentarmos racionalizar o que fazemos, ao não colocarmos aquilo que realmente somos naquilo que fazemos, acabamos por ficar aquém do que é realmente de valor.

Este último livro levou quatro anos a escrever, pode parecer muito tempo, mas ao lermos o livro, as emoções, o espanto que temos, mostram o cuidado e a entrega que o Sandro põe na escrita e na revisão que faz da sua escrita.

Quem tiver algo para dizer, seja na escrita ou não, que comece hoje, com verdade e intensidade, e daqui a quatro anos terá algo de valor concerteza, mesmo que seja uma página, um risco, uma nota de música por dia, vai valer a pena.

Tal como o Filipe Melo, o Sandro reforça a ideia que é o processo, o gosto pelo processo que faz com que as dificuldades sejam ultrapassadas, pois se nos focarmos só no resultado vamos estar logo à partida condicionados por coisas que não controlamos, como por exemplo, a opinião dos outros.

Adorei conversar com o Sandro, e apesar de ter tido participação na conversa, já a re-ouvi várias vezes, e de todas elas me emocionei, e espero que a vocês também.

Encontrei esta frase num livro que estou a ler, e assenta que nem uma luva ao Sandro.

“…é uma das maiores proezas dos grandes escritores: desenhar personagens sem esconder os seus defeitos e, ainda assim, deixar que a sua humanidade se revele.” Carlo Strenger

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