episódio 62 Fernando Mendes

O convidado desta semana é o Fernando Mendes, que segundo o próprio, é um designer e pensa como um.

O Fernando foi-me apresentado pela Sónia Fernandes, convidada 57 do Falar Criativo, através de um email, onde me colocou em contacto com ele. Combinado o dia e hora, lá me dirigi eu ao Cowork Lisboa para fazer a entrevista, era fim do dia, e por essa mesma razão se ouvem algumas pessoas a passar por nós e a dizer “até amanhã”.

Tirando o facto de saber que o Fernando era fundador do Cowork Lisboa, que era designer, e dava aulas, pouco sabia da pessoa em questão. Sendo assim, fui realmente disponível para ouvir, mais do que falar (algo que tento sempre nas minhas conversas/entrevistas).

Falámos de muita coisa, de criatividade, do  que é isso da criatividade, do design, do “ser” designer, mas admito que retive a questão do Fernando se assumir como um preguiçoso, como algo profundo, e que me diz muito, por duas razões. A primeira é que tendemos a criticar maneiras diferentes de abordar o trabalho, a valorizar o ocupado, aquele que “nem tem tempo para se coçar”, o empreendedor que se levanta às 5 da manhã e se deita à meia-noite. A segunda é que se ele é de facto preguiçoso e consegue gerar valor, é porque usa de forma muito acertada, tipo sniper, onde investir a sua energia e o seu tempo. Muitos de nós, nos quais me ainda me incluo, somos poucos criteriosos onde, quando, e como usamos as nossas capacidades, onde de melhor forma podemos acrescentar valor. Temos a tendência de seguir uma to-do list abarrotada, acabar o dia a sentirmo-nos falhados pois estamos cansados, e nem um décimo da lista foi feito.

O Fernando na música por exemplo simplificou, devoto fã dos Velvet Underground, diz que não precisa de ser fã de outras bandas, aquilo que os Velvet e o Lou Reed fizeram “é tudo”.

Simplificar, dizer não, para dizer Hell Yeah, àquilo que realmente importa para nós, e onde inequivocamente somos geradores de valor na nossa especificidade.