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Falta sempre qualquer coisa

O que falta?

Falta mais esforço?

Mais planeamento?

Mais descanso?

Mais foco?

Falta sempre qualquer coisa.

Tenho neste momento a sensação que há algo que me falta para que o podcast chegue mais longe, que tenha mais impacto, que seja conteúdo que valha a pena, e as métricas serão sempre se as pessoas partilham e se aquilo que faço as faz pensar de algum modo na sua vida e nos seus objectivos.

Nós quando lemos algo fazêmo-lo segundo uma lente que é, de que forma aquilo se pode aproveitar para a nossa vida, não há ler por ler, se não nos interessa, largamos.

Mas o que é que falta?

Nunca planeei muito, talvez seja isso, mas o grande receio que tenho, como pessoa que fica a remoer nas coisas antes de entrar em acção, é usar planeamento como uma desculpa para não fazer, para me esconder de um possível falhanço.

Sei que ter uma estratégia é muito importante, mas tenho a tendência a complicar com os prós e os contras, e focar-me demasiado nos contra e não arriscar.

O medo de falhar, por muito que leia e pense sobre isso, não desaparece, a única solução será mesmo fazer, fazer, fazer.

O problema é que neste momento disse que sim a tantas coisas que me interessam que até o tempo para planear se tornou escasso.

Ao tentar fugir da inércia, fui cair nas garras do excesso, da desorganização, da sensação de falta de espaço para as coisas crescerem.

Nada pode crescer sem espaço, crescimento implica expansão, e se os espaços estão cheios de coisas, todos competem pelo crescimento, pelos nutrientes, mas nenhum cresce, todos se bloqueiam.

Temos medo do vazio, ansiamos por ter “uma vida cheia”, mas uma vida cheia rapidamente se torna uma vida estagnada, sem possibilidade de ser saudável, tal como uma arrecadação onde acumulamos tralha até ao ponto de nem conseguirmos utilizar uma coisa que seja do que lá está. Ao acumular sem espaço e sem organização não avançamos porque estamos sempre cansados de procurar a peça que falta, que até pode estar na nossa arrecadação, ou pode estar à porta para entrar mas não tem espaço para o fazer.

Li uma vez que só podemos ter três a quatro projectos de cada vez, e se quisermos agarrar um novo teremos de dizer adeus a algum, se há algo que entra, há algo que sai.

Nestes projectos inclua-se a nossa saúde, as nossas relações, por isso para crescer não será muito aconselhável ter mais do que dois.

Já deves estar a pensar em várias pessoas que sabes que estão envolvidas em mais projectos, que é possível, e tens razão, é possível. Mas como sempre temos tendência a olhar para as excepções e pensar que também deveríamos ser capazes, e sentimo-nos menos por causa disso.

Há pessoas que são capazes de puxar um carro.

Significa que temos todos de ser capazes?

Porque razão assumimos que as coisas que são importantes para nós, pelas quais nos interessamos, devemos ser capazes de as fazer todas e em grande escala?

Haverá problema em fazer pouco mas bem?

Haverá problema em fazer mal e estar bem com isso?

Não sei, não tenho resposta.

Tenho muitas dúvidas, por isso continuo a perguntar, continuo com sensação da peça que falta.

Mas também é essa peça que falta que nos retira o equilíbrio, há uma inclinação que se gera e isso faz com que avancemos ou recuemos. O que determina a direcção é para onde estamos a olhar, se olhamos para trás a inclinação leva-nos a recuar, se queremos avançar, olhemos para a frente.

O meu grande desafio ultimamente tem sido conseguir olhar para trás sem ficar bloqueado no passado, tenho espreitado tal como fazemos através do espelho retrovisor dos carros, mas apenas como ferramenta para conduzir em segurança, estando atento a coisas que podem vir de trás e surpreender, ou perceber se ao mudar de faixa não vou provocar nenhum acidente.

O passado está lá, ou melhor esteve lá, e só continua a ser presente quando voluntariamente o vou buscar. O futuro pode estar lá, faço por isso, mas também não adianta viver sempre lá, tal como os pássaros precisam de pousar para comer, descansar, também nós devemos ir ao futuro, mas regressar sempre ao presente.

Nenhum de nós tem um passado perfeito, nem vai ter um futuro sem desafios, mas no meu caso prefiro cair de cara no chão porque estou a olhar para a frente, do que cair de costas porque fiquei a olhar para trás.

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