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episódio 118, Filipe Lopes

O convidado desta semana é o Filipe Lopes, contador de histórias, tem um projecto muito interessante, o “A poesia não tem grades”, e foi-me sugerido pela anterior convidada e amiga, Edite Amorim.

O Filipe tornou-se ouvinte do podcast quando tomou conhecimento do mesmo, e disse-me que uma vez que já existem tantos episódios, tem sido para ele muito bom, pois são companhia nas viagens que faz.

Entrevistar ouvintes pode ser mais difícil, pois conhecem algumas perguntas que costumo fazer, sim, algumas são comuns, mas percebo o desafio de estar ainda mais presente, para perguntar sobre aquilo que está a ser dito, e não seguir uma agenda muito rígida.

Cada vez mais me convenço que é através da capacidade de fazer falar outros, que adiciono valor. Sempre fui o menino com a mania que sabia, e com a resposta na ponta da língua, mas a ouvir é que se aprende, não a falar. E eu quero aprender, tenho uma fome gigante de saber, digiro é mal tanta informação, por isso tenho de “comer” mais devagar, saborear melhor, as conversas, os livros, as pessoas, a vida.

Enquanto agora escrevo, só me ocorre esta passagem da canção do António Variações.

“…não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar
O meu mundo
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou”

Os livros sempre foram para mim momento de sair de mim, de descansar, preciso deles, mas percebo que só com uma boa digestão, sairei nutrido.

O Filipe teve no seu início de carreira como contador de histórias uma experiência que o fez perceber claramente, que contar histórias não é sobre nós, é sobre quem nos ouve, é para o outro. Por isso é essencial deixar o ego de fora.

Há muita humanidade e profundidade no Filipe, é genuíno, e pena tenho que projectos como o dele tenham de lutar tanto com questões triviais como financiamento.

Podemos evitar problemas, ou remediá-los. É mais fácil, rápido e barato evitar, mas é muito mais visível remediar. Essa é a razão porque se gasta mais dinheiro a tratar doentes, do que a evitar que as pessoas se tornem doentes. É mais fácil condenar e prender, do que ter políticas de prevenção de comportamentos de riscos, dando alternativas aos jovens como a arte, ou o desporto.

Pessoas esclarecidas, e sãs, mais dificilmente cometem crimes. Condenemos o crimes, mas primeiro tentemos salvar as pessoas.

O livro que o Filipe mais ofereceu, o Balãozinho Vermelho de Iela Mari.

Foto do Filipe tirada por Vitorino Coragem, ao qual agradeço o uso da mesma.