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episódio 106 – Francisco Sousa Lobo

O convidado desta semana é o Francisco Sousa Lobo, autor de banda desenhada e mais coisas que poderão pesquisar no site dele.

Eu aproveitei a oportunidade que me foi concedida de ter entrada livre para o festival Amadora BD,  já lá fui duas vezes, nas minhas horas de almoço, e aconselho vivamente.

Logo na primeira visita chamou-me à atenção o trabalho do Francisco, “O desenhador defunto”, entrei em contacto com ele, e rapidamente acedeu e fizemos a entrevista vis Skype, pois ele vive em Londres.

Falámos muito do que é, pode, deve,   ou não deve ser o desenho, é algo que me intriga, e que o Francisco tem pensado sobre.

Eu senti-me algo nervoso, com necessidade de fazer acontecer este episódio, e penso que por vezes terei falado mais do que devia, interrompendo-o até. Sei que presencialmente, sem esta pressão auto-imposta, teria sido uma conversa mais fluída.

Por outro lado, dei por mim, a fazer perguntas mais arriscadas, tentando perceber os processos mentais por trás das decisões artísticas, esmiuçando os processos, talvez como forma de compensar esse meu nervosismo.

Tocámos em coisas que parecem não ter nada a ver como fé e religião, mas a conversa acabou por me revelar processos mentais que contenho em mim, e que espero mais pessoas se consigam relacionar.

O Falar Criativo tem, e já o disse, um lado muito subjectivo e egoísta, o meu.

As conversas que vou tendo, são as que quero, e de certa forma, preciso ter. Procuro pistas, validação de coisas que penso, que aspiro, mas frequentemente me confronto com maneiras diferentes de pensar, que ajudam a tornar o quadro mais rico e mais real.

 

 

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episódio 89 – Mário Belém

O quinto e último convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Mário Belém.

Foi uma bela maneira de terminar o especial Muraliza, o Mário era um artista que eu já gostava de ter entrevistado, mas havia alguma resistência em mim que eu não entendia.

Percebi quando o estudei mais a fundo para preparar a entrevista, e mais ainda quando o entrevistei, que a resistência não era mais que uma inveja, mas uma inveja boa, no sentido de “ele já está onde eu gostava de estar”.

É um artista reconhecido pelos seus pares, e pelo público em geral, uma vez que o seu trabalho a um nível mais superficial é “fofinho”, como lhe digo durante a nossa conversa, uma linguagem muito próxima da ilustração infantil, mas que tem mais camadas, é mais complexa, tem mensagens subtis que fazem com que a maior parte das pessoas “tropece” nas suas certezas, mas nada de muito violento que as faça cair.

Há um lado muito descontraído na sua maneira de estar, uma tranquilidade que suponho vir desta sua alegria de brincar de forma séria com os materiais, tal como uma criança que experimenta os lápis de cor, a plasticina, os recortes, mas com a maturidade que os 38 anos trazem.

Tal como o Diogo (Add Fuel), o Mário é uma pessoa organizada que trabalha as suas 6 a 8 horas por dia, que tem serão sem trabalhar, que faz por almoçar com a namorada na praia, que faz bodyboard, mas que não deixa de acrescentar valor, e não deixa de ser produtivo, basta seguir aquilo que ele faz para perceber que não dorme em serviço.

Achei engraçado falarmos em dores de crescimento, na passagem do computador para as paredes, em que há de facto um crescer em termos de maneira de olhar, mas também um lado físico que tem a ver com o ter de desenhar um círculo com 2 metros em vez de fazer um pequeno círculo com o rato.

A fotografia que está aqui em cima mostra aquilo que se sente quando se contacta com o Mário, que estamos com alguém que voltou a encontrar uma profunda alegria em brincar com a plasticina.

 

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Livros sugeridos

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episódio 88 – Diogo Machado aka Add Fuel

O quarto convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Diogo Machado aka Add Fuel.

O Diogo é um artista que já queria ter entrevistado, mas fui adiando, até que surgiu a bela oportunidade de o “apanhar” durante esta série especial do Muraliza 2015.

O trabalho dele foi-me aparecendo na frente das mais variadas formas, e percebi desde logo que era um artista com um trabalho muito mais profundo do que possa parecer, e não apenas “um gajo que pinta azulejos em caixas de electricidade”.

Neste aspecto, durante a entrevista referi-lhe o facto de achar que o universo que ele representa, é para mim comparável ao trabalho de um Tim Burton ou um J. R. R. Tolkien, no sentido em que existe uma série de personagens, de cenários que vão construindo um mundo próprio, um mundo imaginado por ele, e que os trabalhos são como que fotografias, ou janelas para esse mundo.

Uma coisa que percebi, foi que o trabalho dele é sólido, porque como artista já está num patamar em que só chegam os grandes artistas, que arranjam processos, que têm a disciplina necessária para ser grandes e se manter lá.

Enquanto somos jovens muitos de nós conseguimos compensar a falta de processo, de sistema, de organização, e de disciplina, usando a energia que temos, dormindo apenas duas horas por noite, porque a idade assim o permite. Porém mesmo que consigamos aguentar durante algum tempo este castelo de cartas, eventualmente ele acaba por ruir, pois a solidez é construída da base, da fundação para cima, e é isso que o processo, os sistemas, a organização, e a disciplina têm como papel fundamental, são essa plataforma sólida à qual podemos subir e ver mais longe.

Assim o meu conselho para mim, neste momento, e para a minha versão de vinte anos, é:

“Organiza-te, estuda a tua maneira de estares no teu melhor, cria um sistema, e disciplina-te, para que nos dias em que não apetece, saibas exactamente o que deves fazer, e assim não viverás no arrependimento daquilo que podias ter feito, e daquilo que podias ter sido.”

Ah, e como nota final, nunca é tarde, mas começar hoje é sempre melhor do que amanhã.

 

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Livros sugeridos

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Óniversário, ou o aniversário do espaço Ó

No dia 13 de Junho fui a Óbidos, ao espaço Ó, fazer uma mesa “podcastável” redonda, sobre o dito espaço, o que é, o que é que Óbidos tem a ver com a criatividade, e o valor que repensar algo tradicional pode ter.

Os participantes foram a Celeste Afonso, vereadora da Câmara Municipal, o Pedro Reis do Colab, e o Nic Mepham, artista plástico. No fim tivemos a participação em forma de fecho do presidente da Câmara, Humberto Marques.

Uma conversa diferente, a lembrar os Encontros com o Património da TSF, mas que manteve muitas das coisas que fazem o Falar Criativo, o passar das ideias à acção, e de que forma podemos capacitar as pessoas a gerar valor, e não ser meros consumidores de empregos.

Gostei da viagem que fiz, da experiência diferente de moderar uma conversa, e de ter um podcast parcialmente em inglês, algo talvez a repetir.

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Tomaz Viana

episódio 82 – Tomaz Viana

O convidado desta semana é o Tomaz Viana, um designer maker, que é algo de definição difícil, até para a organização de designermakers em Inglaterra, mas sabendo inglês o suficiente, percebemos que é alguém que desenha e faz, que tem um lado artesão, aliado a um lado mais conceptual. Poderíamos, segundo o priberam traduzir para artífice, uma vez que a definição engloba o artesão, o criador, autor e inventor.

A maneira como tomei contacto com o trabalho do Tomaz, estou eu convencido, que foi através de uma partilha do Bernardo Barata, amigo comum, ou de outra convidada, a Joana Barra Vaz, que também é amiga do Tomaz.

Quando li na página dele, “designer maker” e vi os trabalhos, percebi que este lado mão na massa, aliado a um lado mais artístico, condimentado com mestria e pragmatismo, seria um ponto de partida interessante para conversar com ele.

Feito o convite, o Tomaz aceitou, e como moramos perto, a conversa foi cá em casa.

Falámos de todas estas questões da definição do que ele faz, o como faz, a sua relutância em considerar-se artista, e abordámos o seu percurso de experimentação, não-linear, mas de procura de algo que ele acredita, que vai sentindo ser o seu caminho, de criar peças de autor, valorizadas tal como outras criações mais artísticas, como por exemplo uma escultura, uma peça de joalharia.

Existe a perfeita noção que ele deveria crescer como marca, como alguém que tem uma maneira própria de estar no desenvolvimento de peças únicas que são bem construídas, resolvem uma questão funcional, e são muito bem desenhadas.

Mas tal como o material que normalmente trabalha, a madeira, o Tomaz sente que é preciso tempo…tempo que todo o processo criativo precisa, tudo o que tem valor adicionado necessita, até nós como seres humanos, como “works in progress” que somos.