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Criatividade no Trapézio

Falar mais Criativo – episódio 34, Criatividade no Trapézio

Esta semana com a Anita na Bulgária, falámos sobre uma experiência que ela teve, ao assistir um trapezista a estar com o seu próprio processo criativo.

Falámos sobre a constatação de que as ideias precisam de tempo, e que cada vez nos é mais difícil termos tempo sem nada, espaço para o nada, onde as coisas surgem.

Referi um texto do Afonso Cruz, “Paralaxe:Kavafis, só para ser mais preciso” , sobre um poema de Constatino Kavafis, Ítaca.

Neste episódio referimos um outro episódio do Falar mais Criativo, o Play.

Livro sugerido é o “The Artist´s Way” da Julia Cameron.

 

 

 

 

Lara-Seixo-Rodrigues-Blog

episódio 71 Lara Seixo Rodrigues

A convidada desta semana, é a Lara Seixo Rodrigues, que faz muita coisa, embora ultimamente esteja ligada à curadoria de artistas, mais ligados à street art.

Eu já tinha ouvido falar muito da Lara, primeiro porque fui colega de faculdade do Pedro, o irmão dela, que fazia as maquetes mais espectaculares da turma e arredores, contrastando com as minhas, que segundo uma professora eram “feitas com os dentes”. Em segundo lugar, acompanho via web alguns artistas que de alguma forma já colaboraram com a Lara, sendo participantes em alguns projectos por ela organizados.

Já tinha no radar falar com a Lara, há algum tempo, mas como lhe disse pessoalmente, até agora não sabia muito bem qual o ângulo a abordar na nossa conversa.

A conversa conseguiu superar as minhas expectativas, que já eram altas, a Lara gosta do que faz, sabe fazer, e tem uma visão bastante abrangente do panorama da arte em Portugal, mais focada porém na street art.

As pessoas são o que motiva a Lara nas intervenções urbanas, o alterar dinâmicas nas cidades, só faz sentido se for com as pessoas e para as pessoas, num processo inclusão, integração, e não ser simplesmente uma parede “muita cool”.

Falámos da necessidade de dar espaço aos artistas para criar, retirando-lhes a não natural tarefa de negociar contratos, autorizações e todas as burocracias que retiram tempo para aprofundar as suas capacidades, explorar novos caminhos, e no fundo crescer como artista.

A questão das galerias, e dos agentes, é algo que me divide de alguma forma, mas consegui ficar mais esclarecido ao falar sobre o assunto, com quem sabe mais do que eu. Aquilo que percebi, é que os maus agentes e os maus galeristas, fazem com que muitos artistas não consigam ver as vantagens de ter alguém a “arrumar” as coisas, para a energia que o artista traz, seja entregue na sua arte, e não burocracias nada criativas.

A Lara tem de ser organizada, pois gerir 15, 20 projectos ao mesmo tempo implica organização, mas também tem de ser capaz de desligar ao fim de um dia intenso.

Referiu-me que a vida é que lhe ensinou, tanto a ser organizada, como a saber desligar. Disse-lhe que a vida tinha sido boa professora para ela, mas mais importante que a vida ter sido boa professora, foi a capacidade que a Lara teve para ouvir os ensinamentos que a vida lhe apresentou.

os artistas

Encontrei este texto do David Ackert, e o engraçado é que quando fiz alguma pesquisa sobre a origem do artigo, apercebi-me que as diferentes áreas artísticas têm alterado o sujeito para a área do seu interesse. Encontrei para “Cantores e Músicos”, para “Actores” e por fim “Artistas”. Parece-me pouco relevante qual a área, mas sim a ideia que quem faz coisas, quem têm ideias expõe-se à crítica, à rejeição, motivados por um instante em que “…eles estão mais próximos da magia, de Deus e da perfeição do que qualquer um poderia estar. E nos seus corações, sabem que dedicar-se a esse momento vale mil vidas.”

Os artistas são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra.

Lidam com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas  durante toda uma vida.

Todos os dias, artistas enfrentam o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente, o desrespeito de pessoas que acham que eles deviam ter um emprego a sério e o seu próprio medo de nunca mais ter trabalho.

Todos os dias, têm de ignorar a possibilidade de que a visão à qual têm dedicado suas vidas seja apenas um sonho.

Com cada obra ou papel, empurram os seus limites, emocionais e físicos, arriscando a crítica e o julgamento, muitos deles a ver outras pessoas da sua idade a alcançarem os marcos previsíveis de uma vida normal – o carro, a família, a casa, o pé-de-meia.

Porquê? Porque os artistas estão dispostos a dar a sua vida inteira por um momento – para que aquele verso, aquele riso, ou aquele gesto, agite a alma do público.

Artistas são seres que provaram o néctar da vida naquele momento de cristal quando derramaram o seu espírito criativo e tocaram no coração do outro.

Nesse instante, eles estão mais próximos da magia, de Deus e da perfeição do que qualquer um poderia estar. E nos seus corações, sabem que dedicar-se a esse momento vale mil vidas. ” David Ackert