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episódio 126, Filipe Melo e Juan Cavia, Os Vampiros

O episódio desta semana tem o Filipe Melo e Juan Cavia como convidados.

O Filipe Melo, anterior convidado, é realizador, músico, argumentista, e mais aquilo que lhe apetecer fazer, o Juan Cavia é ilustrador e director de arte, juntos fazem magia. O mais recente livro de banda desenhada “Os Vampiros”, é o quinto livro que fazem juntos, depois das aventuras do “Dog Mendonça e Pizza Boy”, um livro diferente, mas na minha modesta opinião, fantástico.

Não me vou alongar, a nossa conversa é bastante clara, dá para perceber o enorme trabalho por trás do resultado final, e o livro vale bem a pena comprar, é daqueles aos quais voltaremos muita vez, e de cada viagem, novas camadas iremos descobrir.

Gravámos numa esplanada em Lisboa, no Blu Café, e agradeço ao Senhor Vitor, dono do café, toda a disponibilidade e simpatia.

Realmente, não sei se é a falta de barba, mas eles têm muito mais estilo que eu!

 

 

 

AndreOiveiraII-blog

episódio 115, André Oliveira regressa

Esta semana o André Oliveira regressa à conversa comigo, uma vez que na primeira parte, ficou muito por falar. Foi algo que ambos sentimos, sobretudo porque o André ouviu as minhas conversas com o Filipe Andrade e o David Soares, conversas longas que tiveram o espaço/tempo para ir mais longe.

O André foi lá ter a casa, espaço onde gosto de receber as pessoas, que me é familiar, e que me dispõe a ouvir.  Em relação ao ouvir, há algo mais esotérico que vou partilhar.

Ao preparar-me para esta nova conversa com ele, encontrei um texto muito interessante no seu blog escrito pela mulher, a Sofia, intitulado “Só mais uma ideia duvidosa”, e ao acabar de o ler ouvi uma voz na minha cabeça que me disse “Ouve-o com atenção, há muito que podes aprender com a sua sabedoria”. Se ainda continuas a ler o texto é porque não te assustei.

De facto aprendi muito com o André, há mestria na maneira como desenvolve os seus argumentos, como se coordena com os ilustradores, mas sobretudo na coragem que tem de explorar as suas inquietações através dos seus personagens. Inquietações também eu tenho muitas, mas não desenvolvi a capacidade de as projectar em “entidades” exteriores a mim, nem com elas construir histórias cativantes capazes de ganhar prémios.

Uso muitos destes textos que vou escrevendo, aqui e na newsletter como forma de me afastar, de ler de outro ponto de vista coisas que de outra forma me arrebatam, que me paralisam. O André parte de “ideias duvidosas”, e constrói outras realidades, que passam a existir, que podem deixar ainda mais dúvidas, mas que se tornam certezas através do trabalho dedicado que ele coloca nelas.

Falámos no exemplo que quer ser para a sua filha, de possibilidade, que mais do que palavras quer deixar exemplo, algo que é muito mais poderoso do que tudo o que se possa dizer.

Ele falou não se lembrar de no seu percurso académico ter tido professores que tivessem sido exemplo para ele, que tivessem tido um papel marcante naquilo que ele faz e acredita. Ouvi outro dia uma frase que referia “haver muita preocupação com dificuldades de aprendizagem, mas pouca ou nenhuma com dificuldades no ensino“. Há com certeza professores que por este ou aquele motivo não são exemplo, que tem dificuldades em cativar os alunos, e que não fazem ideia de como apontar caminhos que permitam aos alunos descobrir caminhos mais desafiantes, mas em sintonia com o que de único e especial tenham. Sim, todos temos algo em que somos diferentes, únicos, e por essa razão especiais. Não digo que com isto sejamos todos os maiores e mais bem sucedidos na área que escolhermos, mas seremos com certeza seres humanos mais realizados, felizes, e com disponibilidade para o outro, pois não teremos de andar sempre a navegar os desejos e expectativas que os outros têm para nós.

O André disse que antes de encontrar este meio de expressão andava à deriva, sem saber quem era, a diferença é que hoje em dia, a escrita se tornou um veículo para não ficar parado.

Desejo encontrar o meu veículo. Sinto de alguma forma ser este, o de conversar com almas inquietas e criativas, que questionam, que mais do que profetas, querem ser exemplos de possibilidade.

 

 

Filipe-Andrade-blog

episódio 110 – Filipe Andrade

O convidado desta semana é o Filipe Andrade, ilustrador que é mais conhecido por desenhar para a Marvel.

Mais uma vez vou agradecer ao André  Oliveira ter feito a ponte que tornou esta conversa possível, é de facto um privilégio ter o André a ajudar o Falar Criativo.

Foi simples de combinar a entrevista, o Filipe já estava “avisado”, e é uma pessoa muito acessível. Como o Filipe se encontra a recuperar de uma cirurgia, encontrámo-nos em casa dele, o que permitiu que ele estivesse bem à vontade, e eu tivesse direito a café e bolinhos.

Já referi que o Filipe é uma pessoa muito acessível e, quando lá cheguei começámos a conversar sobre o Falar Criativo, sobre os episódios que ele já tinha ouvido, e que lhe faziam companhia enquanto desenhava. Foi para mim logo um bom presságio, um motivo de orgulho, de felicidade.

Começámos a gravar, a conversa fluiu, e eu de queixo caído por ouvir na primeira pessoa, muitas coisas que acredito, que sei, mas que ainda tenho dificuldade em colocar em prática.

Outro dia escrevi um texto, para uma publicação que será lançada em Janeiro, onde referia que é sempre fascinante encontrar aqueles casos, aquelas pessoas para quem é claro desde tenra idade, o que querem, e “apenas” se têm de preocupar no como, o “o quê” está resolvido.

O Filipe sempre teve a paixão pelo desenho, e aos 11 anos decidiu que queria desenhar para a face mais visível da banda desenhada, a Marvel. Aos 22 anos, conseguiu. Podemos dizer -“que sorte, aos 22 anos já tinha realizado o seu sonho”- ou podemos ver pelo lado mais realista – “que dedicação! 11 anos de esforço e trabalho”.

Quando o ouvimos durante a entrevista percebemos isso mesmo, que perseguir os nossos sonhos implica não fazer outras coisas, são escolhas que fazemos. É mais simples quando por alguma razão é claro o local de aterragem, mas aquilo que hoje se torna mais evidente para mim é que não é tarde, melhor, que nunca é tarde. Aqueles que conseguem alcançar grandes sonhos é por dois motivos: porque sonham grande, e porque são os seus sonhos, não os dos outros.

Todos somos atingidos por expectativas, por opiniões, a maior parte até bem intencionadas, mas alguns têm a coragem de lutar por aquilo que os faz ganhar vida.

“A necessidade de ser aceite, pode te tornar invisível” – Jim Carey

Aqueles que mais do que quererem ser aceites, querem sentir-se bem vivos todos os dias, são aqueles como o Filipe procuram as oportunidades, que se disciplinam e crescem, para quando a altura chega estarem preparados.

Fiquei fascinado com a ética de trabalho que ele tem, com a disciplina e a noção da responsabilidade e privilégio que é desenhar para a Marvel. Ele próprio diz que é essa discilplina que lhe permitiu chegar onde chegou, e manter-se lá.

É a Marvel o destino final? Não. É um local no mapa na aventura que é a vida dele, e ele sabe isso. Não se deixa encostar ao que conseguiu, sabe que está bem, mas faz tudo ao seu alcance para fazer sempre mais e melhor.

A sabedoria dos seus 29 anos é digna de nota, eu na idade dele ainda não tinha percebido a necessidade do equilíbrio que a vida deve ter, o espaço para o trabalho, o espaço para o resto, os amigos, o desporto, o lazer. Esse espaço conquista-se com disciplina.

“Discipline Equals Freedom” – Jocko Willink

Foi para mim muito emocionante conhecer alguém que desenha para um universo que já me foi muito próximo, onde vivi muitos dias, e sonhei muitas aventuras.

Espero sinceramente que retirem tanto da conversa como eu retirei.

Livros sugeridos:

 

 

 

 

David-Soares-blog

episódio 108 – David Soares

O convidado desta semana é o David Soares, escritor, uma das pessoas sugeridas pelo anterior convidado, o André Oliveira.

Foi o próprio André que lhe falou no podcast, e no meu interesse em entrevistá-lo.

Feita a ponte, combinei com o David no Centro Cultural de Belém, e à hora combinada lá nos encontrámos.

Enquanto o David tomava um café fomos conversando, e posso dizer que fui entrevistado por ele, entre várias perguntas, quis saber de todos os convidados, quais tinham sido os meus preferidos.

Lá lhe disse alguns, mas saliento que todos foram importantes, claro por razões diferentes, e em momentos diferentes.

Tenho um fraco pelo ofício da escrita, sobretudo pela ficção, essa capacidade de imaginar mundos, universos, de criar emoção em quem lê, e sem lhes tocar ter a magia de os fazer viajar, viver aventuras.

Falámos muito sobre o que é o seu universo autoral, de que ideias têm o direito a ser trabalhadas, a busca do tom, o como, a importância de ter coisas para dizer.

A nossa conversa foi longa, mas garanto que houve muitas coisas que gostava também de ter perguntado, tal é a riqueza do processo dele.

O David é bastante sereno, e devo confessar que pela investigação prévia que tinha feito, e por sentir alguma reserva inicial, eu estava no início com algum receio de não estar à altura do escritor que tinha pela frente.

Mas como ouvi outro dia, se estivermos dispostos a ouvir, saberemos o que dizer.

No momento em que em que comecei a gravar decidi, ouvir, ouvir com muita atenção, aproveitar ao máximo a oportunidade que tinha pela frente, de ouvir na primeira pessoa o processo de alguém tão respeitado, com obra feita, e bem feita.

É por causa destas oportunidades que vale a pena a parte de esforço que faço para todas as semanas, desde Dezembro de 2013, ter um episódio disponibilizado para outros ouvirem, dignificando os meus convidados, e inspirando quem os ouve.

Tantas coisas que poderia partilhar aqui, e que aprendi nas quase três horas que estive com o David, mas a mais importante é a de ter a “loucura” de estar perante uma mudança, e dar um passo em frente com a confiança que vale a pena.

Livros sugeridos, foram muitos, mas aqui ficam links para alguns.

  1. “Tambor de lata” do Günter Grass.
  2. “Stoner” do John Williams.
  3. “Darconville’s Cat” do Alexander Theroux.