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Dthink

episódio 66 André Bello e Rique Nitzsche (d.tink)

Os convidados desta semana são o André Bello e o Rique Nitzsche, dois brasileiros da dthink, que tive a oportunidade de conhecer através da iniciativa da Câmara Municipal de Cascais, o Creathon – Maratona Criativa, na qual participei durante dois dias e meio, para através do Design Thinking encontrar soluções para alguns dos problemas do Concelho de Cascais.

O Creathon foi muito interessante, uma vez que aliava uma formação e a sua aplicação imediata, alternando momentos teóricos com a utilização na práctica dos conceitos que eram explicados.

A metodologia do Design Thinking é algo que me seduz, pois a minha curiosidade se saber dos mais variados assuntos acaba por ser uma mais valia, porque me permite relacionar vários conceitos, ter pensamentos desordenados, que acabam por ser filtrados, nos momentos determinados para o efeito.

Eles falam nas personalidades em forma de T, ou especialistas em generalidades, pessoas que no eixo horizontal percorrem várias áreas e assuntos mas que no eixo vertical, aprofundam apenas um.

Eles falam durante a entrevista algo que também acredito, e que á tinha ouvido de outras pessoas, que o ser humano é a unidade mínima de transformação, que se queremos mudar alguma coisa numa empresa, ou até num país, temos de conseguir mudar ao nível do indivíduo, e só depois a mudança será profunda e duradoura.

A inovação que tanto se fala hoje em dia, deve ser um processo constante, não apenas quando as coisas começam a correr mal, como o André refere a mudança é feita “por amor ou por dor”, isto é, quando há vontade de mudar ou a necessidade. Quando há necessidade, devido a problemas, é mais óbvio e imperativo, mas quando as coisas estão a correr bem deve haver vontade, amor, para inovar, para fazer melhor, usando os recursos disponíveis em alturas de abundância.

A alegria e o divertimento são parte dos ambientes criativos, e experenciei isso no Creathon, onde o facto de haver alturas em que não há filtros, onde a quantidade de ideias é o mais importante, as pessoas soltam-se e retornam o contacto com a criança criativa que vive dentro de todos nós.

Acerca disto eles falam que a criatividade é uma linguagem esquecida, que todos nascemos criativos, mas através da formatação do sistema de ensino muitos de nós, desligamos essa parte de nós.

O falhar, falhar depressa, é o caminho para acertar, quanto mais depressa falharmos mais depressa acertamos.

Não passa por ser irresponsável, estamos a falar em “laboratórios”, em ambientes controlados onde o erro pode ser minimizado, mas que nos permite ver o que pode e deve ser melhorado.

A própria escola deveria ser um espaço de erro, e com ele a aprendizagem resultante, mas pelo contrário a escola tornou-se um espaço de “certezas” ou o erro é altamente penalizado.

Vou mergulhar mais nesta maneira de pensar, usando de forma consciente o pensamento divergente e o pensamento convergente, para ver se dessa forma mais estruturada consigo usar positivamente o turbilhão de ideias e interesses que tenho.

 

 

 

episódio 20 Paulo Arraiano

O convidado desta semana é o Paulo Arraiano, artista plástico, mais conhecido pela street art, mas que faz outras coisas igualmente interessantes.

Ele é um dos artistas residentes no Cidadela Art District em Cascais, projecto muito interessante que criou espaços para galerias e para artistas, dentro de uma pousada, unindo um hotel a um bairro das artes.

Da conversa com o Paulo retirei várias coisas, uma delas é o facto de os criativos serem pouco criativos na parte económica, se calhar não são todos, existem exemplos que usam a sua criatividade para gerar negócios de milhões, acho sim que tem a ver com incluir espaço para essa área e sobretudo um mindset mais comercial, mas Vender sem nos Vendermos.

A relação que ele tem com a Natureza é algo que acho muito interessante, também acredito que é lá que está tudo o que precisamos como fonte de inspiração, é, é mais súbtil, implica mais atenção, pois a descodificação ainda não está feita e tem de ser feita por nós.

A ideia que o street art pode funcionar como ponto de acupuntura, achei que faz todo o sentido e nunca me tinha ocorrido. Normalmente a street art é feita em zonas degradadas ou abandonadas, ao criar um ponto de atracção vamos irrigar com pessoas aquela parte que está doente, e dessa forma levar algo que pode ajudar a curar.

As frases que mais retive depois de re-ouvir a nossa conversa foram, uma do Paulo outra do Milan Kundera:

“Pouco é o tempo que temos para pensar.”

“O coeficiente da velocidade é proporcional ao coeficiente do esquecimento.” –  Milan Kundera in “A Lentidão”