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episódio 114 – Pedro Andrade

O convidado desta semana é o Pedro Andrade, compositor de efeitos visuais.

Para dizer a verdade, eu não sei bem traduzir o nome daquilo que ele faz, se alguém souber pode-me enviar um email se fizer favor.

O Pedro é irmão do anterior convidado Filipe Andrade, que disponibilizou a casa para a entrevista, e ao qual muito agradeço.

Assim que cheguei fui recebido com um abraço do Filipe, com o qual só estive uma vez, mas que sinto que é genuinamente “um gajo muita bacano”, e é algo que tem em comum com o Pedro, outro “bacano”.

Foi muito engraçado ver a diferença de percursos dos irmãos, o Filipe aos 11 anos decide que quer desenhar para a Marvel, e segue o seu caminho sem grandes dúvidas. O percurso do Pedro é não linear, com experiências em diferentes áreas, mas todas com aprendizagem, pois se quisermos aprender, há sempre uma lição.

O Pedro andou pela música, formou-se em Engenharia Mecânica, foi produtor musical, trabalhou em climatização, e agora está a trabalhar em composição, como director 2D.

Há um episódio muito interessante sobre como as coisas podem mudar, se estabelecermos objectivos, e planearmos como os atingir, que é como o Pedro decide aplicar-se nos estudos, faz uma folha de Excel com as cadeiras que lhe faltam fazer, e torna a cave da casa dos pais numa espécie de “batcave” , o sítio onde estuda e traça a sua rota em direcção ao término dos estudos.

Na minha experiência, quando sou claro nos objectivos, as coisas parecem acontecer mais rapidamente, e com menos stress. No entanto tenho dificuldade em traçar objectivos, apesar das provas na primeira pessoa de que funcionam, tudo porque a não-escolha é algo com que lido mal, isto é, fico sempre a pensar no que estou a deixar de fazer, em vez de focar no que escolhi fazer. Esqueço-me que tudo é uma escolha, mesmo escolher não-escolher, é em si mesmo uma escolha, contudo é uma escolha muito mais fraca, e com resultados bem caros em termos de paz de espírito.

O Pedro no entanto estabeleceu vários planos na sua vida, e foram esses planos que o motivaram, e o fizeram aguentar situações que lhe eram menos agradáveis, mas que foram um meio para atingir um fim. Grande lição, grande lição…

A conversa é longa, mas sem dúvida interessante, pois tem muita coisa que é para mim importante na minha busca através do Falar Criativo, procurar exemplos reais de coisas que sinto, e que defendo, o sermos eternos aprendizes, os diferentes caminhos para chegar à realização pessoal, e que não é obrigatório ter um canudo para se ser um dos melhores, é sim preciso Saber.

Livros falados no podcast:

Filmes falados no podcast:

 

episódio 39 Diogo Vilhena

O convidado desta semana é o Diogo Vilhena, realizador ligado ao documentário, ou como ele próprio diz, arqueólogo da memória.

Nasceu em Vila Nova de Milfontes, onde cedo teve contacto com o cinema, quer por ter trabalhado no cinema Girassól, quer pelo facto de quando era criança ter sido rodado lá a maior produção de Hollywood em Portugal, a “Casa dos Espíritos”, algo que lhe deu acesso a conhecer os bastidores e todo um lado menos vísivel de como se faz cinema.

Também enquanto jovem criou uma base de dados, uma compliação dos sons da sua terra, recolhidos com um gravador que o acompanhava no dia-a-dia.

O património que temos ao nível das histórias, das vivências e costumes, é algo que interessa bastante ao Diogo, aquilo que nos faz “um povo” é mais do que um hino ou uma bandeira, é uma partilha das mesmas experiências, ou similares, como habitantes neste território rodeado de mar e Espanha.

O Diogo vive em Sines, onde me encontrei com ele, onde lhe é fácil usar o seu meio de transporte preferido, a bicicleta, um hábito que ele refere como sendo algo que o ajuda a pensar.

Considera a criatividade a sua ferramenta de trabalho, pois os meios técnicos, são isso mesmo, meio, e o que interessa é a maneira como se faz, a mestria que se tem, e a dedicação que se tem para com o objecto de estudo.

O Diogo é uma pessoa que aparenta muita calma, uma pessoa que gosta de ouvir as histórias que os mais velhos têm para contar, histórias que fazem a História de Portugal, pois não são só os grandes feitos que constroem a nossa identidade.

A atenção é outra ferramenta que ele usa, e por essa razão a treina, abstendo-se de estimúlos em excesso, pois quando vai entrevistar estas pessoas, necessita de ir de mente vazia, disponível para ouvir, sem influenciar, sem julgar, fazendo assim um registo o mais fiel possível.

Houve uma frase que o Diogo referiu, que ele usa como referência e que vou guardar para me ajudar em certos momentos de dificuldade que encontro por falta de meios:

-“Quando não tens material tens de usar o teu potencial.”