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episódio 123, Afonso Salcedo

O convidado desta semana é o Afonso Salcedo, entre outras coisas, director de fotografia, realizador, que já trabalhou na Pixar e na DreamWorks.

Por alturas da entrevista do André Lourenço, o também anterior convidado José Alves da Silva, sugeriu o nome do Afonso, e que o André seria a pessoa ideal para fazer a ponte.

Uma vez que o Afonso está em Palo Alto, São Francisco, e só para Setembro aquando do THU virá cá, tive de combinar a nossa conversa por Skype, e devo dizer que desde o primeiro momento, do primeiro mail, se mostrou extremamente acessível e até me deu os parabéns pela entrevista que fiz ao André.

No dia combinado, acabado de chegar do meu emprego, subi para o escritório e liguei o Skype, e após um pequeno desencontro, lá começámos a conversar. Em momento nenhum houve qualquer tipo de estranheza na maneira como conversámos, parecia que já o conhecia, havia disponibilidade de ambas as partes para uma conversa aberta.

O Afonso pode ser considerado quase um prodígio, teve uma média de entrada na faculdade de 21, numa escala de 0 a 20, pode parecer estranho, mas ele explica durante o podcast. Esta questão de pessoas para quem a vida académica é mais fácil, pode muitas vezes ser uma maldição, quem para muitas coisa tem jeito, acaba por ter mais dificuldade em escolher uma determinada área, e foi isso que lhe aconteceu, começou um curso de electrotecnia de computadores, desistiu, mudou-e para Inglaterra, trabalhou na Blockbuster, tirou um mestrado, frequentou uma escola de artes performativas, onde teve contacto com um lado mais artístico e criativo da sua personalidade, algo que reconhece como marcante para si.

O Afonso falou de crises existenciais nestas mudanças todas, mas em todas foi capaz de se ouvir, de se conectar com o que o faz realmente feliz, e foi mudando, amadurecendo, até chegar ao mundo dos filmes, começando por trabalhar no filme do Harry Potter, o Prisioneiro de Azkaban, onde fazia o turno da noite, e após alguns filmes, achou que precisava de mudar, e mudou-e para Palo Alto, sem certezas, a não a de que queria experimentar outra realidade, aquela realidade.

Acabou por chegar à Pixar, onde percebeu rapidamente que era uma empresa diferente, para melhor, onde a diferença é aceite, e onde todos têm uma opinião com o mesmo valor, onde segundo ele não há egos. Sobre este assunto ele refere o livro do Ed Catmull, o “Criatividade”, como sendo um livro que descreve a maneira daquela grande empresa trabalhar.

Também trabalhou na DreamWorks, por querer mudar experimentar, crescer, a experiência não correu tão bem, mas ao sair fez questão de dizer o que na sua opinião funcionava bem, e o que não funcionava.

Não posso dizer que conheça o Afonso, mas daquilo que fiquei a conhecer na nossa conversa, posso dizer que é um verdadeiro guerreiro do bem, um discreto soldado que tem a coragem de falar em defesa daquilo que acredita, mas que acima de tudo tem a coragem de se ouvir, de lutar por aquilo que o faz feliz.

Falámos da morte, de como para ele, e também para mim, a curiosidade pela morte nada tem de mórbido, pelo contrário, é um meio de de dar valor à vida, de fazer justiça ao estar vivo, de viver os dias que temos de forma plena, em sintonia com a nossa natureza.

A vida é demasiado curta para a passarmos infelizes.

O Afonso é um daqueles exemplos de que o Bem ganha, que as boas pessoas conseguem chegar longe, ao contrário de muitas opiniões de café, que dizem que o mundo é dos sacanas, e que para chegar mais alto é preciso pisar pessoas pelo caminho.

Para mim, foi sem dúvida inspirador falar com ele, espero que para quem ouvir o seja também.

O Afonso tem um projecto a precisar de apoio no Indiegogo, o Sonic Runway no Burning Man, quem puder e quiser, acho que é de ajudar, eu já o fiz.

A música do podcast é do anterior convidado Bernardo Barata, e podem ouvir todo o albúm aqui, fazer o download, e como apoiantes que são de boa música pagar o que entenderem.

 

O video que foi ideia dele, e que fez chorar o Steve Jobs…e a mim também! Apanhou-me num dia que precisava de ouvir que as coisas melhoram.