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episódio 134, Guilherme Duarte

O convidado desta vez é o Guilherme Duarte, autor do blogue “Por Falar Noutra Coisa”, que ganhou o prémio do Blogue do Ano 2016.

Cheguei ao Guilherme através do anterior convidado João Vitória.

cadela-Guilherme_Duarte

 

A cadela do Guilherme que se ouve durante a entrevista.

Livros falados:

  • “Os Maias” de Eça de Queirós
  • “A Aparição” do Virgílio Ferreira
  • “Com o Humor Não se Brinca” do Nelson Nunes

Para ler o texto mais longo com a minhas reflexões sobre a nossa conversa, tornem-se patronos no Patreon.

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episódio 128, Zé Diogo Quintela

O convidado desta semana é o Zé Diogo Quintela, escritor de humor, um dos membros dos Gato Fedorento, e ao qual cheguei através do anterior convidado Ricardo Araújo Pereira.

No dia combinado lá fui ter a casa do Zé Diogo, e logo à chegada conheci o seu cão que coincidência das coincidências também se chama Rui, como eu. Como algumas pessoas sabem, eu também já fui treinador de cães, é algo que ainda gosto bastante, e foi o tema de conversa antes de os microfones começarem a gravar.

A simpatia e educação são para já um elemento comum entre dois dos elementos dos Gato Fedorento, e para mim que sempre fui fã, tem sido um privilégio conhecer pessoalmente tanto o Zé Diogo como o Ricardo. Tenho algumas conversas com pessoas que me dizem, algo que eu também achava, que as pessoas boas nunca se safam, que é preciso ser sacana para conseguir algo na vida, e aqui tenho prova absoluta do contrário, de que os “bons” também ganham sem ser nos filmes, pois o sucesso que eles tiveram no nosso país, só poderá ser comparado, em termos de popularidade com um Cristiano Ronaldo.

Existe aquela expressão que diz que “demora muito tempo a criar um sucesso de um dia para o outro”, e aqui é bem verdade, pois quando a popularidade e o reconhecimento pelo público em geral surgiu, ele já escrevia humor há algum tempo.

A centelha que fez com que tudo começasse, foi uma coisa que chamo a “arrogância boa”, aquele momento em que achamos que sabemos fazer melhor algo que outros fazem, e no caso do Zé Diogo foi o achar que conseguiria escrever melhores fins de piada ( punchlines) que os escritores da série Friends, esse exercício de ouvir o que foi dito, e conseguir imaginar algo que para ele tinha mais graça.

Decidiu enviar uns textos para as Produções Fictícias, conseguiu entrar, e segundo a sua modéstia, hoje em dia é muito mais difícil conseguir um trabalho destes tão facilmente uma vez que a concorrência de quem escreve é muito maior, apesar de nem toda ser boa, há muita que o é.

A versão da história não é diferente do que a que o Ricardo contou, a história é a mesma, porém, a motivação que o levou a aceitar o desafio de fazer stand up pela primeira vez, foi a de não querer ficar para trás, de não se querer arrepender por não ter ido, diz que é uma característica sua.

Referiu-me na troca de emails antes da entrevista, que não sabia se tinha algo de tão interessante para partilhar sobre o processo criativo de escrever humor, mas aquilo que partilhou durante a entrevista, mostra bem o contrário, que percebe do seu ofício, e mais importante ainda, sabe quais são as rotinas que o fazem ter ideias, e disciplina-se para as cumprir. A disciplina é de facto uma ferramenta essencial para a criatividade, não é tão romântico falar nisso, gostamos de cultivar um cenário onde de repente faz-se luz e “A” ideia surge, e tudo é fácil a partir daí.

Gostei muito de ter esta conversa, quando ouvirem vão perceber que construir um projecto à escala que os Gato Fedorento conseguiram fazer, surge porque existe amizade, respeito, saber, profissionalismo, obstinação de querer ver as suas ideias concretizadas, sem nunca almejar à fama, esse resíduo de ser conhecido por um trabalho bem feito.

Há coisas que me ficaram desta conversa, o perceber que nenhum deles queria exposição, que isso, foi o preço que pagaram para conseguir fazer humor do qual se orgulham, que é preferível fazer menos coisas sabendo que se pode fazer mais do que ter tanto para fazer que nos esgotamos e queremos fazer menos, e que o sucesso que vale a pena é o reconhecimento pelos nossos pares.

Vamos ver se consigo completar a caderneta, e entrevistar os restantes elementos.

Livros referidos

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episódio 117, Ricardo Araújo Pereira regressa

Parte 1 Parte 2

O convidado desta semana, é novamente o Ricardo Araújo Pereira, que regressou para falarmos de algumas coisas que tinham ficado de fora da primeira conversa.

Após a primeira conversa, ficámos os dois com a sensação que havia assuntos importantes que seria interessante abordar.

Combinado o dia, lá me encontrei com ele, desta vez em minha casa, sítio onde gosto muito de receber os convidados, e onde acho que normalmente me correm melhor as entrevistas, pois estou muito mais à vontade, e descontraído.

O principal assunto que tinha ficado de fora da primeira conversa, foi os “Gato Fedorento”, que foram sem dúvida aquilo que fez com que o Ricardo se tornasse mais conhecido, uma vez que houve uma altura em Portugal que o grupo foi na minha opinião a marca mais forte  do país, logo a seguir ao Cristiano Ronaldo.

Falámos de como se juntaram, como as coisas começaram, e como as coisas de repente explodiram e se tornaram enormes.

A fama, é algo que não estava nos planos, foi um dano colateral, eles só queriam escrever textos humorísticos, e mesmo hoje em dia, é esse o trabalho deles, escrever. A representação das suas próprias personagens foi algo que se apresentou como inevitável por não haver dinheiro para contratar actores que representassem os seus textos.

A escassez teve as suas vantagens na minha opinião, porque o lado de “palhaçada entre amigos” é notório para quem os via, e essa amizade e à vontade, contribuíram para um resultado que tocou mais as pessoas, por identificarem ali, uma dinâmica que também tinham com os amigos. Eu pelo menos sentia-o, e outras pessoas que já falei sobre o assunto também.

O Ricardo fala de técnicas para escrita criativa, exercícios que me parecem interessantes, e que sem dúvida irei experimentar, sim, porque eu um dia vou escrever textos humorísticos, acreditem em mim!

Nos links em baixo partilho as ditas técnicas.

Ele foi muita vez “provocado” a vestir o papel de líder do grupo por parte da imprensa, nunca o quis ser, nunca enfiou o carapuço, mas na minha opinião, ele portou-se como um líder, um dos bons.

Um líder para mim, é aquele que quando há algo menos bom na direcção do grupo, recebe o embate, protegendo os outros. Ele ao ser mais cobiçado pelos media, aliviou a pressão sobre os restantes membros, mas, tal como os grandes líderes, na altura de receber o reconhecimento e ou louvores, é o primeiro a chamar a atenção que aquilo é um esforço de grupo, e que nenhum é mais importante que outro.

Não sei se será a última vez que estive com ele ou não, mas mesmo que seja, vale bem a pena.

Se eu o admirava como escritor/comediante antes, muito mais fiquei a admirar ao ver de perto algo que já referi da primeira vez, o seu lado humano, e isso é muito maior que o seu metro e noventa e três.

Sketchs referidos durante a conversa.

 

 

 

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episódio 113 – Ricardo Araújo Pereira

Parte 1 Parte 2

O convidado desta semana é o Ricardo Araújo Pereira, um dos mais conceituados e conhecidos humoristas portugueses.

O Ricardo é alguém que admiro bastante, e sou fã desde os tempos em que fazia sketches no programa “Perfeito Anormal”, de tal forma que eu sabia de cor algumas dessas rábulas, como por exemplo “A minha vida dava um filme indiano”.

No entanto, não era só como fã, o meu interesse em entrevistá-lo. O trabalho dele, o volume e a qualidade, são um exemplo máximo de criatividade, e algo que um curioso como eu gostaria de perceber, e penso que muitos dos ouvintes do podcast partilharão esse interesse.

Sabendo deste meu desejo, a Nídia Nobre, ouvinte do podcast, descobriu que o Ricardo iria falar numa gala de entrega de prémios, e disse-me que estava ali a minha oportunidade para o convidar a passar pelo Falar Criativo.

No dia dessa gala tive de pedir para fazer o meu horário seguido, sem pausa, para sair mais cedo, e conseguir ir lá. Chegado ao local, vi que estavam a colocar o microfone no Ricardo, e disse para comigo “Assim que lhe puserem o microfone, vais lá convidá-lo”. Bem dito bem feito, eu era um homem com uma missão. Abordei-o, e com a simpatia e educação que o caracterizam, acedeu a ser entrevistado, fazendo algumas perguntas sobre o podcast, e de que forma faríamos a entrevista. Deu-me o seu email, e eu, só aí tive uma enorme sensação de realização de missão cumprida.

Trocámos emails para combinar, e uma coisa que me deixou logo impressionado foi o facto de ele se ter oferecido para me ir buscar ao meu local de trabalho, uma vez que fizemos a entrevista nas duas horas que tenho de almoço.

E assim foi, no dia combinado foi-me buscar, e logo mostrou o seu humor, ao questionar-me se eu era o Rui, ou se estaria a colocar um estranho dentro do carro.

No caminho fui-lhe explicando o projecto, e fiquei a saber que já tinha ido ouvir alguns episódios, nomeadamente o da Susana Romana.

Tirámos a fotografia da praxe, na qual pareço um anão (ele é mesmo alto), e começámos a conversar.

Eu admito que estava nervoso, pois na preparação que fiz, encontrei muitas entrevistas, muitas interessantes, e pensei para comigo, que caminho escolher para não ser só mais uma, e de que forma conduziria a conversa.

A conversa fluiu, embora eu possa por vezes não ter sido tão paciente como já fui noutras entrevistas, e tenha sido mais participativo do que provavelmente seria desejável. Isto é, senti ao ouvir depois, que parecia haver em mim uma necessidade de ele reconhecer valor em mim, nas minhas ideias e opiniões. Eu queria ser visto por alguém que admiro. Todos nós já passámos por situações destas, mas é sempre bom tentar, e fazer melhor para a próxima.

Falámos da dificuldade de “ser criativo” e ter ideias quando são precisas, das condições necessárias para as ideias surgirem poderem ser facilmente confundidas por nós e pelos outros como preguiça, ou “engonhar”.  O John Cleese explica muito bem esta questão neste video.

O Ricardo referiu, tal como o John Cleese, a questão da criatividade não ser algo exclusivo de certas pessoas, e não ser um talento, mas sim um modo de operar, uma disponibilidade de pensar de forma diferente, uma disponibilidade para brincar/jogar.

O saber “dizer que não” é algo que aconselho a prestarem atenção quando ouvirem o episódio, há dicas muito importantes, de alguém que soube dizer que não a várias propostas, até que surgiu aquela que era irrecusável. A maior parte de nós vai dizendo meios “sins”, e na hora de dizer “SIM!”, já não tem espaço, nem energia. Nessa nota aconselho isto.

Houve muita coisa que ficou por falar, mas ficou apontada uma segunda volta, e espero da próxima vez não ter a limitação da minha hora de almoço.

Sinto que talvez tenha alguma dificuldade em resumir neste texto o que aprendi, mas aprendi bastante, mas a coisa mais importante foi a de que ser famoso, e conhecido, não tem de significar distância, e arrogância. O Ricardo é um exemplo de alguém que está ao mais alto nível naquilo que faz, e continua a ser humilde, acessível e humano.

A entrevista foi realizada no Surya Yoga Shala em Algés, espaço gentilmente cedido pelos meus amigos e professores de yoga, Pedro e Cecília, aos quais muito agradeço.

Livros sugeridos:

Livros referidos:

 

 

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episódio 107 – André Oliveira

O convidado desta semana é o André Oliveira, argumentista que recentemente ganhou o prémio de melhor argumento no festival de banda desenhada da Amadora, com o livro “Volta”.

Nas minhas visitas ao festival, tomei contacto com o trabalho do André, e rapidamente percebi que, primeiro tinha de comprar o livro “Hawk”, e de seguida falar com ele.

No dia que comprei o livro, fui logo lê-lo, e como a minha história tem muitas coisa parecidas com o Vicente (o personagem principal), facilmente tocou em botões dentro de mim que me fizeram comover, a ponto de ter ficado num estado quase de transe emotiva, da qual só acordei quando voltei ao meu local de trabalho e uma colega me pergunta o que é que se tinha passado, se estava tudo bem.

Estava tudo bem, porque como falei com o André, procuro ser tocado pela arte, sentir-me vivo, sentir renascer coisas que fui desligando, tornar-me mais daquilo que sou.

Nos dias antes de falar como André fartei-me de comentar com várias pessoas que o ia entrevistar, e que até estava algo nervoso, uma vez que percebi pela investigação que fiz, tratar-se de um excelente argumentista, mas acima de tudo uma boa pessoa.

O texto que o Mário Freitas escreveu como prefácio da colectânea “Casulo”, descreve o Sr Oliveira, que se torna André como sendo um aglutinador de pessoas à sua volta, e alguém com a capacidade de rir de si próprio.

Aquilo que vos posso dizer é que reconheço nele uma grandeza que senti também no Filipe Melo, pessoas que são muito maiores que a sua obra, sendo essa obra gigante. Essa grandeza vem de uma grande generosidade criativa, um ego diminuto que permite trabalhar com muitas e variadas pessoas, com igual grau de sucesso.

Se há característica que tento copiar é essa de conseguir não alimentar o ego, nem sempre o consigo. E a razão para esse insucesso, vem de querer ser visto pelos outros como relevante, e aqueles que são relevantes, simplesmente o são.

Ele escreve livros “na sua pessoa”, e eu tento fazer entrevistas na minha pessoa, e aqueles que correram menos bem, foram aqueles em que tentei ser outra pessoa, alguém que achava ser mais o mais indicado para a ocasião, mas não eu. Nessas ocasiões escondi-me, e quem apareceu era um boneco de cartão, sem profundidade. E é na profundidade que está o valor.

Percebo cada vez melhor a força que existe na persistência e na capacidade de ser parte, e não estar permanentemente aos saltos para ser escolhido.

Eu escolho ser parte, eu escolho sonhar com um mundo onde não se divide a tarte em mais partes, mas todos fazemos uma tarte maior.

A banda desenhada parece-me caminhar nesse sentido, e eu fico muito feliz por isso.

Livros sugeridos:

  1. “O Amor infinito que te tenho e outras histórias” do Paulo Monteiro
  2. “Lisboa Triunfante” do David Soares