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episódio 112 – Ana Albuquerque

A convidada desta semana é a Ana Albuquerque que conheci no colégio da minha filha, tendo me sido apresentada como “alguém que devias conhecer e entrevistar”.

Assim foi, conhecia-a, e depois combinámos a entrevista.

No dia combinado, fui ter à casa da Ana, ela quis saber mais sobre o Falar Criativo, e pusemo-nos à conversa, de tal maneira que acabou-e o tempo que ambos tínhamos disponível e nada de entrevista, zero gravação.

A Ana até ficou um pouco sem jeito de termos passado aquele tempo todo à conversa, uma hora e meia, e termos de combinar para outro dia. Felizmente, ambos tínhamos um bocado disponível no dia seguinte, e conseguimos gravar.

Falámos do seu percurso, mas talvez menos desse assunto do que é habitual eu falar nestas minhas conversas, e centrei-me mais no processo, e o que pretende a Ana transmitir com aquilo que faz.

É a segunda convidada que tenho ligada à joalharia, a primeira foi a Leonor Hipólito, que tem até hoje o maior número de downloads do Falar Criativo até hoje, mais de 800. Falo na Leonor, também porque a Ana a conhece.

As jóias são objectos muito pessoais, com os quais normalmente há relação próxima, mais ostensiva nalguns casos, e bem discreta noutros. Eu entendo a jóia como um adorno para ocasiões especiais, e algo que para fazer sentido deve ser de grande valor, deverá ser embuida da carga que se pretende transmitir quando se usa.

A Ana falou numa questão que fez muito sentido para mim, mas algo que nunca reflecti muito, que é os objectos terem uma carga, uma energia, uma identidade que vai para além da sua materialidade, isto é, um objecto que mesmo que eu o desfaça em pedaços vai sempre carregar uma história daquilo que foi, dos lugares por onde passou, as pessoas que foram tocadas por eles… Sou pessoa de me apegar aos objectos, guardo t-shirts da minha adolescência, tenho dificuldade em separar-me de livros, porque para mim, eles são aquilo que se passou, aquilo que vivi. No entanto eles serão sempre apenas uma parte, um lembrete, nunca serão o todo da experiência, isso, não volta.

 

episódio 31 David Oliveira

O convidado desta semana é o David Oliveira, ele é escultor, e tomei contacto com o seu trabalho através do meu amigo e anterior convidado Rui Viana, que me mostrou umas fotografias de alguns trabalhos do David.  Fiquei absolutamente fascinado com a nobreza que o “simples” arame ganha, quando o David pega nele e desenha no espaço.

Procurei o contacto no mesmo instante em que vi as fotografias, e no mesmo dia o David concordou em conversar comigo na minha casa.

Mesmo antes de pôr o gravador a funcionar e começar a entrevista, estivemos um bocado à conversa, sobre desenho, a arte, a sociedade, o fazer o que se gosta, e a conversa continuou por mais uma hora depois de carregar no botão de stop do gravador.

Daquilo que me deu para conhcer do David na manhã que passei com ele, as suas esculturas têm muito a ver com o que ele é, uma força tranquila, uma leveza no trato, e uma complexidade transparente à qual não conseguimos ser indiferentes.

O nosso convidado também teve da parte dos pais aquela conversa que muitos de nós ouvimos dos nossos, sobre seguir uma carreira artística mas apenas como “hobby”, arranjar um trabalho das 9 às 5, e no tempo livre ser artista. Porém no caso do David isso não o impediu de tentar viver como artista, e como ele diz, considera sim a hipótese inversa, ter um emprego como “hobby”.

Gostei muito de conhecer o David, de ver que quando se faz aquilo que se gosta, se assume uma determinada escolha feita, as coisas acabam por acontecer, pode não ser fácil, mas o caminho alternativo, embora o possa parecer, não será mais fácil, pois viver todos os dias a fazer algo de que não se gosta para poder ter um telemóvel de última geração, não é, na minha opinão, fácil.

Falámos de muitas coisas, mas as coisas que mais retive da nossa conversa, foi uma serenidade que o David transmite ao falar das suas escolhas, dos seus hábitos, e também o facto de ele dizer que fala consigo próprio na terceira pessoa, que se chama à razão, algo que também faço, que todos deveríamos fazer, mas deveríamos falar connosco próprios como gostaríamos que os outros nos falassem.

episódio 14 Leonor Hipólito

A convidada desta semana é a Leonor Hipólito, joalheira, artista plástica que tem neste momento uma exposição em Lisboa, no Espaço AZ.

A Leonor é uma pessoa, como ela própria o diz, muito mental, e isso nota-se ao longo da entrevista, percebe-se que existe reflexão sobre aquilo que faz e o como fazer, que nos diz que o processo criativo não é algo que possa ser forçado.

Gostei desta conversa calma que tivemos, num dia de chuva, onde retirei para mim, que é importante ser tolerante ao que vai surgindo quando se faz, e que quando se faz aquilo que se gosta, a necessidade de férias é relativa.

 

  • O site da Leonor, aqui.