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episódio 90 – DJ Johnny

O convidado desta semana é DJ Johnny, que me foi sugerido pelo anterior convidado Ricardo José Lopes, e que também já tinha surgido durante a conversa que tive com o Vitor Belanciano, pois o Johnny foi um dos membros fundadores da Cooltrain Crew.

O Johnny não estava por Portugal quando o Ricardo me falou nisso, mas que viria brevemente. Contactei o Johnny via Facebook, para saber quando chegaria, e se estaria disponível para a entrevista, e quando chegou passou-me o número de telemóvel dele para combinarmos. Achei engraçado que nesse primeiro telefonema, me disse para ir ter com ele ao Quiosque da Ribeira das Naus ( onde estaria a passar música ) para “quebrar o gelo”. Foi a primeira vez que um convidado me quis conhecer antes da conversa, mas depois de estar com ele dessa vez, e depois na entrevista, pareceu-me que embora o Johnny seja muito boa onda e cool, é reservado, e o primeiro contacto permitiu que aquando da entrevista ele tenha falado mais, do que se esse primeiro contacto não tivesse existido.

A conversa foi muito centrada na música como seria de esperar, mas foi uma conversa com um apaixonado pela música, mais do que com alguém que vive do passar música, ou misturar música, o Johnny refere vários nomes de músicas, de álbuns, associando discos a alturas da sua vida, quase como postes que vão servindo de referência cronológica.

Existe um respeito enorme dele pelos músicos, e embora viva da música não quer ser considerado músico, pelo esse mesmo respeito que tem.

Fui re-ouvir o Jazzmatazz do Guru, pois o Johnny refere a importância deste albúm, e achei interessante haver uma música que ouvi bastantes vezes,  o “No Time To Play”, que ao mesmo tempo relacionei com o percurso dele, um percurso de muito esforço, de muitas horas, de noites mal dormidas, quase “sem tempo para brincar”, e foi uma das coisas que mais marcou da nossa conversa, foi essa responsabilidade por um trabalho bem feito, e o ter a consciência de que para fazermos o que gostamos há que colocar amor e capacidade de trabalho, “Love and Hard Work”.

 

Livro sugerido é o Notes of a native son do James Baldwin.

 

episódio 50 Marta Hugon

A convidada desta semana é a Marta Hugon, cantora de jazz, à qual cheguei através do Filipe Ferreira, pois quando ele partilhou o episódio dele, a Marta comentou-o, e eu não me fiz rogado, lembrei-me das palavras do Filipe, de o “não” estar garantido, e aproveitei a oportunidade que se me apresentava.

A Marta chegou ao canto quase como uma experiência, inscreveu-se num côro, e de forma quase casual viu-se em cima de um palco, e perceber, que tinha receio, mas “eu quero fazer mais disto”.

A partir desse momento teve que se desenvolver como cantora, através de aulas particulares e mais tarde, ingressando no Hot Clube onde veio a ter como professor o Filipe Melo, que hoje em dia é parceiro de composição, faz os arranjos e o pianista que a acompanha.

Falámos da pressa que normalmente se tem de ver resultados, de chegar a esse destino, seja a publicação de um disco,  ou até mesmo reconhecimento como cantor firmado. Não há pressa, isto é, pressa há, mas as coisas na vida, não querem saber da pressa que temos ou não temos, elas seguem a ordem que têm de seguir e somos nós que temos de aprender a ter paciência, em acreditar que vai acontecer, mas não ficar sentado à espera que as coisas se resolvam por si.

A Marta não acha que exista “um mais fácil e um mais difícil, um certo ou um errado”, no que toca a escolhas profissionais, pois no caso dos músicos, refere que todos os músicos que conhece, “por muitas dificuldades que passem, são pessoas felizes e realizadas profissionalmente” e que “a música é a maior recompensa”.

 

 

episódio 30 Bruno Pernadas

O convidado desta semana é o Bruno Pernadas, um músico que em Março de 2014 editou um albúm a solo com um título que eu achei muito interessante, “How can we be joyful in a world full of knowledge”, e daí surgiu a minha curiosidade em perceber de que forma isso se reflectia na sua forma de pensar.

Pelo que percebi durante a nossa conversa, interessa mais ao Bruno a pergunta que ter resposta para a mesma. Por essa razão fui com uma ideia feita sobre qual o caminho que achei que a conversa poderia tomar, e serviu-me de lição pois, as ideias feitas, são sempre um mau caminho, e dei por mim a improvisar um bocado.

Falámos de viver da música, mas de uma forma “composta”, que eu nunca tinha pensado, pois a música tem várias vertentes, o ensino, a intrepretação, a composição, etc., e é possível “viver da música”, sem ser só vender discos e dar concertos.

O Bruno divide-se em vários projectos, o que demonstra uma vontade de seguir uma via que decidiu cedo, aos 13 anos, que era algo que iria fazer para o resto da vida.

Para um músico de jazz provavelmente será mais difícil do que para um músico pop ou pop-rock, mas não lhe passa pela cabeça fazer cedências nesse sentido para poder ter uma vida mais fácil.

O Bruno parece-me um músico seguro que tem ideias claras relativamente àquilo que quer para si e para a sua música.

A música dele é muito rica, como se pode ouvir neste video.

episódio 22 Filipe Melo

O convidado desta semana é o Filipe Melo, músico de jazz, autor de banda desenhada, realizador, uma mente irrequieta e criativa.

O Filipe veio à Biblioteca de São Domingos de Rana falar do processo de fazer a trilogia de banda desenhada “Dog Mendonça e PizzaBoy”. No fim dirigi-me a ele e perguntei se ele estaria disponível para ser entrevistado para o Falar Criativo, e após dizer qualquer coisa do género “…se achares que eu tenho algo para dizer…”, deu-me os seus contactos, e assim que foi possível encontrámo-nos para conversar.

A humildade e generosidade do Filipe é sincera e presente, o que só o torna maior, mesmo grande.

Foi uma conversa cheia de histórias, de pontos de vista, de experiências pessoais, onde mais uma vez vi que a dúvida faz parte de quem tem a inquietação de fazer coisas.

A “inveja boa” e a “monogamia de ideias”, foram dois conceitos que adorei e vou usar com mais frequência.