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episódio 126, Filipe Melo e Juan Cavia, Os Vampiros

O episódio desta semana tem o Filipe Melo e Juan Cavia como convidados.

O Filipe Melo, anterior convidado, é realizador, músico, argumentista, e mais aquilo que lhe apetecer fazer, o Juan Cavia é ilustrador e director de arte, juntos fazem magia. O mais recente livro de banda desenhada “Os Vampiros”, é o quinto livro que fazem juntos, depois das aventuras do “Dog Mendonça e Pizza Boy”, um livro diferente, mas na minha modesta opinião, fantástico.

Não me vou alongar, a nossa conversa é bastante clara, dá para perceber o enorme trabalho por trás do resultado final, e o livro vale bem a pena comprar, é daqueles aos quais voltaremos muita vez, e de cada viagem, novas camadas iremos descobrir.

Gravámos numa esplanada em Lisboa, no Blu Café, e agradeço ao Senhor Vitor, dono do café, toda a disponibilidade e simpatia.

Realmente, não sei se é a falta de barba, mas eles têm muito mais estilo que eu!

 

 

 

Afonso-Cruz-Blog

episódio 125, Afonso Cruz

O convidado desta semana é o Afonso Cruz, escritor, ilustrador, realizador, e músico, que eu há muito gostava de ter entrevistado, desde que ouvi a entrevista que ele deu à Inês Meneses no Fala com Ela, mas que me fez ir adiando, pois acho que a conversa entre os dois foi muito boa, e havia o receio de me comparar, e falhar.

Mas um destes dias, ao ler um texto do Afonso, partilhei-o e na partilha disse que gostava de conversar com ele. Minutos depois, o Filipe Lopes, anterior convidado, e a Edite Amorim anterior convidada, puseram-me em contacto com ele através do facebook, o que mostra que estamos todos muitos próximos e disponíveis para ajudar.

Combinámos o dia e eu iria deslocar-me a Avis no Alentejo, onde ele vive, mas sorte a minha e disponibilidade dele, veio à Feira do livro de Lisboa, e acabou por passar antes cá em casa para conversarmos.

O Afonso é um grande escritor, com prémios já no seu currículo, e acho que vai ser ainda maior, tem uma maneira cativante de escrever, muito criativa, é produtivo, e tem a noção do ofício da escrita, algo que faz faltas a muitos de nós, nos quais me incluo, esta noção que há um lado oficinal, pragmático quando queremos desenvolver a nossa arte, seja ela escrever, pintar, desenhar, inventar, e até fazer podcasts. A repetição, a tentativa, a experimentação, são ferramentas essenciais para o crescimento, a evolução, é nestas iterações que percebemos o que faz ou não sentido, onde podemos melhorar, e de que forma.

O seu processo criativo é interessante, trouxe-o da animação onde trabalhou, onde define um início, e um fim, e um meio, e vai preenchendo os meios que existem entre dois momentos, simples e eficaz. Tenho reflectido sobre esta maneira de trabalhar, e admito que me agrada como estrutura de trabalho, e até como estrutura de vida, pois, torna-nos conscientes de onde estamos, o nosso início, estabelecemos um fim, o objectivo a alcançar, e vamos pensando como poderemos ir preenchendo as partes que ainda não sabemos, mas que podemos apontar como possibilidades, com a vantagem de sermos tolerantes com as mudanças de objectivos, caso faça sentido, e atentos às respostas que nos podem surgir, uma vez que vamos construindo uma narrativa que vai ganhando sentido, com pontos intermédios aos quais vamos apontando.

A entrevista é longa e cheia de sabedoria, de alguém que tem tido confiança no seu trabalho, que tem a coragem de ser freelancer desde o início da sua carreira, coisa que eu gostaria, mas não tenho a coragem, pois ao contrário dele, se o mês se aproxima do fim e não há muito trabalho/dinheiro,  acredito mais que ele não vai surgir, do que tudo se resolverá e vai correr bem. Percebo que o seu método, a sua experiência, não são comparáveis à minha, percebo que o trabalho com espinha dorsal tem muito mais possibilidade de ser bom. Se eu partir para uma viagem sem saber para onde vou, porque vou, dificilmente encontrarei aquilo que pretendo, serei apenas alguém à deriva, e esse tem sido muito do meu percurso, arrancar sem destino nenhum, como diziam os Trovante na sua 125 Azul, e embora me tenha encontrado com muita gente interessante, não sinto que tenha feito nada digno de nota. Talvez me exija demasiado, mas provavelmente a minha insatisfação, seja o motor para continuar a fazer, para fazer mais e melhor.

Vou tentar desenhar as minhas ideias e projectos desta forma, preencher espaços, pergunta a pergunta.

Foto: Vitorino Coragem

Filipe-Lopes-blog

episódio 118, Filipe Lopes

O convidado desta semana é o Filipe Lopes, contador de histórias, tem um projecto muito interessante, o “A poesia não tem grades”, e foi-me sugerido pela anterior convidada e amiga, Edite Amorim.

O Filipe tornou-se ouvinte do podcast quando tomou conhecimento do mesmo, e disse-me que uma vez que já existem tantos episódios, tem sido para ele muito bom, pois são companhia nas viagens que faz.

Entrevistar ouvintes pode ser mais difícil, pois conhecem algumas perguntas que costumo fazer, sim, algumas são comuns, mas percebo o desafio de estar ainda mais presente, para perguntar sobre aquilo que está a ser dito, e não seguir uma agenda muito rígida.

Cada vez mais me convenço que é através da capacidade de fazer falar outros, que adiciono valor. Sempre fui o menino com a mania que sabia, e com a resposta na ponta da língua, mas a ouvir é que se aprende, não a falar. E eu quero aprender, tenho uma fome gigante de saber, digiro é mal tanta informação, por isso tenho de “comer” mais devagar, saborear melhor, as conversas, os livros, as pessoas, a vida.

Enquanto agora escrevo, só me ocorre esta passagem da canção do António Variações.

“…não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar
O meu mundo
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou”

Os livros sempre foram para mim momento de sair de mim, de descansar, preciso deles, mas percebo que só com uma boa digestão, sairei nutrido.

O Filipe teve no seu início de carreira como contador de histórias uma experiência que o fez perceber claramente, que contar histórias não é sobre nós, é sobre quem nos ouve, é para o outro. Por isso é essencial deixar o ego de fora.

Há muita humanidade e profundidade no Filipe, é genuíno, e pena tenho que projectos como o dele tenham de lutar tanto com questões triviais como financiamento.

Podemos evitar problemas, ou remediá-los. É mais fácil, rápido e barato evitar, mas é muito mais visível remediar. Essa é a razão porque se gasta mais dinheiro a tratar doentes, do que a evitar que as pessoas se tornem doentes. É mais fácil condenar e prender, do que ter políticas de prevenção de comportamentos de riscos, dando alternativas aos jovens como a arte, ou o desporto.

Pessoas esclarecidas, e sãs, mais dificilmente cometem crimes. Condenemos o crimes, mas primeiro tentemos salvar as pessoas.

O livro que o Filipe mais ofereceu, o Balãozinho Vermelho de Iela Mari.

Foto do Filipe tirada por Vitorino Coragem, ao qual agradeço o uso da mesma.

 

 

 

 

 

 

 

 

Madalena-Matoso-blog

episódio 95 – Madalena Matoso

A convidada desta semana é a Madalena Matoso, ilustradora, e uma das fundadoras da editora Planeta Tangerina.

Cheguei à Madalena através do Bernardo Carvalho, pois quando o entrevistei, o nome dela surgiu algumas vezes, e achei por bem entrevistá-la, uma vez que também gosto do trabalho dela.

Gostei mesmo muito de a conhecer, há uma certa tranquilidade na maneira de estar, embora numa altura da entrevista tenha partilhado que se irrita quando os desenhos que a mão produz não chegam sequer aos calcanhares da imagem que a sua ideia tem.

Eu também sinto muitas vezes isso, e foi uma das razões que me fez afastar do desenho durante uns tempos, o achar que não desenho assim tão bem, ajudado pelo facto de aquilo que imagino ficar muito longe do que tecnicamente sou capaz de fazer.

Claro que arranjamos sempre maneira de dar a volta e aproximar, mas consegue ser muito frustrante por vezes.

Não que me esteja a comparar com a Madalena, ela é mil vezes melhor, mas é engrçado ver que mesmo pessoas premiadas e que fizeram disso a sua profissão, tem lutas muito semelhantes.

Isto agora fez-me pensar numa frase que ouvi outro dia, que “um herói não é o que não tem medo, é apenas aquele que age apesar do medo”.

E de que forma é que isso tem a ver, perguntam-se vocês?

A Madalena, podia quando as coisas não saem como a sua imaginação, deitar a toalha ao chão e ir fazer outra coisa da sua vida, mas não, continua a fazer, insiste.

Eu, e muitos de nós, em várias coisas que nos sentimos bem a fazer não temos essa paciência, essa energia que vem de crer, e querer, insistir apesar de aquilo não sair bem à primeira, nem à segunda, nem à terceira…, mas se aguentarmos até à décima quinta, podemos ter uma bela surpresa, algo que fomos nós que fizemos, que deu muito gozo e que nos orgulhamos.

Há livros que a Madalena referiu como “flops de estimação”, mas sobre os quais não há qualquer tipo de arrependimento, que são trabalhos que se orgulham de ter feito tanto como os ditos “sucessos”.

Eu já voltei a desenhar mais, dá-me gozo. São maus muitos dos desenhos, mesmo maus, mas depois há uns bonzinhos, e quando menos espero até dou por mim a mostrar alguns deles, de peito inchado, tal qual galo de capoeira.

Livro sugerido

episódio 63 Elsa Serra

A convidada desta semana é a Elsa Serra, uma contadora de histórias, que me foi sugerida pela Rossana Appolloni, que me disse que havia uma pessoa que tinha como profissão “contadora de histórias”! Fiquei curiosíssimo de falar com ela, de perceber o que é um contador de histórias, e como isso se faz.

O percurso da Elsa é não-linear, como muitos dos convidados do Falar Criativo, onde um sonho de ser atriz se cruza com circo, com escrita.

Acredito que a capacidade de contar histórias, de humanizar dados, factos e até coisas, é uma ferramenta que todos deveríamos possuir, pois no nosso dia-a-dia, as ligações que criamos com as pessoas que nos rodeiam, passam muito pelas histórias que vivemos e pela forma que partilhamos as coisas que nos acontecem, levando os ouvintes numa viagem connosco a sítios tão banais, como uma ida ao supermercado que se torna numa epopeia só porque nos esquecemos da carteira em casa, e o relato emociona quem nos ouve, e de alguma forma sente que também ele se esqueceu da dita carteira.

Os criativos, sabem criar, daí o adjectivo que se lhes refere, e essa capacidade tem de ser usada para envolver os destinatários daquilo que criam, passar a informação sobre os seus quadros, os seus potes, o seu design, etc., de forma que seja retida por quem será “comprador” daquilo que vendem. Como a Elsa diz na nossa conversa, 90% da informação é retida se for contada sob a forma de história, contra uns meros 34%, se for apenas um relacto de factos. A história apela a todos os nossos sentidos, inclui-nos, os factos são apenas “razão”.

Como diz a Elsa no seu site, “Contar uma história é um exercício de intimidade”, e todos, sem excepção, ansiamos por esse toque, por essa intimidade da partilha mágica de emoções.