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episódio 86 – Nuno Palhas aka Third

O segundo convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Nuno Palhas aka Third.

A entrevista foi pouco tempo depois da entrevista do João Samina, e eu estava com receio da minha capacidade de entrevistar não tivesse sido reposta, porém assim que começamos a falar, percebo que o Nuno tem muito para dizer, e eu muito para aprender com ele, e a coisa acaba por fluir bastante bem.

O percurso dele, como ele diz é pautado por diversas paixões, que tem em comum o desenho, sempre o desenho, que faz com que se divida entre a ilustração, a street art, a modelação 3D, o design têxtil, e mais coisas, caso lhe despertem o interesse.

Disse-me uma coisa que por vezes me esqueço, mas que é realmente uma verdade:

“Quando estamos no início de uma coisa vamos ser todos fracos.”

Quando começamos, se começarmos com essa mentalidade, que os prodígios e talentos naturais são muito raros, e que a maior parte daqueles que admiramos, também eles já foram medíocres, e que é a determinação e o trabalho continuado que fazem os grandes artistas.

A melhor promoção que se pode fazer do nosso trabalho, segundo o Nuno, é dando o máximo em tudo o que fazes, como dizia o Fernando Pessoa “Põe quanto és no mínimo que fazes”, e muitas vezes culpamos (eu sofro deste mal) factores externos para não estarmos onde gostaríamos de estar, mas se pusermos a mão na consciência, sabemos que não subimos todos os degraus necessários para lá chegar.

O Nuno, vive de e para a sua arte, aquilo que o faz feliz, e é com essa felicidade que vem tudo o resto.

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episódio 71 Lara Seixo Rodrigues

A convidada desta semana, é a Lara Seixo Rodrigues, que faz muita coisa, embora ultimamente esteja ligada à curadoria de artistas, mais ligados à street art.

Eu já tinha ouvido falar muito da Lara, primeiro porque fui colega de faculdade do Pedro, o irmão dela, que fazia as maquetes mais espectaculares da turma e arredores, contrastando com as minhas, que segundo uma professora eram “feitas com os dentes”. Em segundo lugar, acompanho via web alguns artistas que de alguma forma já colaboraram com a Lara, sendo participantes em alguns projectos por ela organizados.

Já tinha no radar falar com a Lara, há algum tempo, mas como lhe disse pessoalmente, até agora não sabia muito bem qual o ângulo a abordar na nossa conversa.

A conversa conseguiu superar as minhas expectativas, que já eram altas, a Lara gosta do que faz, sabe fazer, e tem uma visão bastante abrangente do panorama da arte em Portugal, mais focada porém na street art.

As pessoas são o que motiva a Lara nas intervenções urbanas, o alterar dinâmicas nas cidades, só faz sentido se for com as pessoas e para as pessoas, num processo inclusão, integração, e não ser simplesmente uma parede “muita cool”.

Falámos da necessidade de dar espaço aos artistas para criar, retirando-lhes a não natural tarefa de negociar contratos, autorizações e todas as burocracias que retiram tempo para aprofundar as suas capacidades, explorar novos caminhos, e no fundo crescer como artista.

A questão das galerias, e dos agentes, é algo que me divide de alguma forma, mas consegui ficar mais esclarecido ao falar sobre o assunto, com quem sabe mais do que eu. Aquilo que percebi, é que os maus agentes e os maus galeristas, fazem com que muitos artistas não consigam ver as vantagens de ter alguém a “arrumar” as coisas, para a energia que o artista traz, seja entregue na sua arte, e não burocracias nada criativas.

A Lara tem de ser organizada, pois gerir 15, 20 projectos ao mesmo tempo implica organização, mas também tem de ser capaz de desligar ao fim de um dia intenso.

Referiu-me que a vida é que lhe ensinou, tanto a ser organizada, como a saber desligar. Disse-lhe que a vida tinha sido boa professora para ela, mas mais importante que a vida ter sido boa professora, foi a capacidade que a Lara teve para ouvir os ensinamentos que a vida lhe apresentou.