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episódio 124, Mónica Abdurehaman

A convidada desta semana é Mónica Abdurehaman, User Experience Designer e também a mulher do Pedro Andrade.

A entrevista foi gravada no Atrium Saldanha, daí haver algum ruído de fundo, que eu prefiro não ter, mas que não impede de aproveitar a nossa conversa.

A Mónica tal como o Pedro, vive em Londres, e como ela veio cá para uma conferência, sobre UX (user experience), a UXLX, aproveitei para a entrevistar, pois esta questão da experiência do utilizador, e de que forma essa experiência pode ser boa ou má, é algo que me interessa, uma vez que o próprio podcast é em si uma experiência, que espero seja boa, mas também espero, venha ser melhor.

O percurso que teve, é também ele diversificado, de mudanças de área, entre belas artes, design de equipamento, visual effects, a Mónica andou à procura, por vezes já pouco acreditava se seria o UX mais uma dessas mudanças passageiras, mas ao que me pareceu, como é uma área onde há diversidade e várias possibilidades de intervir, será este o sítio onde irá permanecer, ou talvez não. Com certas pessoas, nas quais me incluo, por vezes a única constante é mesmo a mudança.

A experiência do utilizador está em quase tudo, se não mesmo em tudo o que fazemos, e por essa razão, cabe a quem tem um serviço ou um produto e que pretenda que seja consumido ou utilizado, saber qual a melhor para criar uma experiência que valha a pena o tempo e o dinheiro do público alvo.

Existe muito de comportamento humano nesta área, por essa razão, é algo que gosto, eu que sou um curioso das pessoas, e das razões por que fazem o que fazem. Não percebo muito do assunto, pois se percebesse talvez o podcast fosse uma experiência mais interessante, o que levaria a maior interacção com os ouvintes. As pessoas fazem o download, mas é muito diferente saber que a “Sara”, o “Miguel”, ouvem o podcast e gostam ou não gostam, do que ver o download número 33 e 265. Mas isto não é sobre mim.

Muitas marcas já perceberam que o principal foco deve ser o utilizador, o como usam, consomem os seus produtos ou serviços, e quais as razões para o fazerem, ou não fazerem.

O consumo mudou, as pessoas já não escravas do que as marcas oferecem, há escolha, demasiada escolha até, o que torna muito complicado ser o produto escolhido, ser a marca eleita para ter acesso à minha atenção, como consequência, a minha acção de comprar, ou utilizar. Sim porque muitas coisas não compramos, mas escolhemos utilizar, bem ou mal, conforme a experiência está em sintonia com as pessoas que são o público alvo, como o caso de um peão utilizar ou não uma passadeira, dependendo se o local está ajustado aos seus comportamentos.

No caso do percurso de Mónica, também ele é uma “user experience”, ela trabalhou nalgumas áreas, percebeu as coisas que não gostava e não queria para si, e quando, quase por acaso encontrou o UX, foi-lhe mais fácil decidir que não queria fazer noitadas, que queria trabalhar numa empresa pequena, e que seria melhor se fosse algo com várias facetas, dias diferentes, fazendo coisas diferentes, mas que têm como ponto comum, todos nós, os utilizadores.

 

 

A música do genérico é do anterior convidado, o Bernardo Barata.

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episódio 119, André Lourenço

O convidado desta semana é o André Lourenço, entre outras coisas, fundador do THU, Trojan Horse was an Unicorn.

O que é o THU?

O THU é um evento para artistas digitais, isso não será algo de inovador, mas a filosofia por trás do evento é, de tal forma que já começaram a surgir eventos “á lá THU” por esse mundo fora.

O André foi-me sugerido pelo José Alves da Silva, convidado 27, por duas vezes, uma quando o entrevistei em 2014, e outra mais recentemente. Confesso que da primeira vez tive alguma curiosidade, mas não dei seguimento à coisa, não entrei em contacto com o André, não consigo explicar porquê, mas agora fez-se luz, e fez tudo o sentido, e sinto que o entrevistei na altura certa.

O THU está numa altura madura, e já é referência, e o André também ele está mais tranquilo e em paz.

Com 27 anos o André tinha uma dívida gigantesca, estava falido, voltou para casa dos pais, e teve de refazer tudo não a partir do zero, mas a partir de negativos.

O que ele fez de diferente de muitos empresários com dívidas, foi que não fugiu às suas responsabilidades, e quis honrar os compromissos assumidos. Quando lhe perguntei qual a motivação para se levantar após tão grande tombo, respondeu-me, que a motivação era pagar as dívidas e limpar o seu nome.

A entrevista é longa, mas sinto que para percebermos o André e o sucesso do THU, era essencial enquadrar o percurso, as mudanças de mindset, a evolução e o crescimento dele como pessoa, e de que forma isso se reflecte na maneira como encara os desafios que tão grande evento acarreta.

Falamos de que somos muitas vezes a maior barreira entre o queremos, e o que obtemos, arranjamos desculpas, seja o facto de sermos portugueses, seja não termos os conhecimentos certos. O falhar, a relação entre estar preparado para o que pode correr mal, a coragem de assumir erros, o retirar o ego da frente, e ter a inteligência emocional de perceber os outros, o que os motiva, e de que forma se mudam mentalidades.

O THU é um evento que tem tudo a ver com o Falar Criativo, é um evento que tenta mostrar que as dúvidas e as inseguranças, são constantes, mesmo entre aqueles que já estão nos patamares mais altos, e que tenta passar a mensagem na primeira pessoa, através daqueles que todos os dias lutam para mostrar as suas ideias, a sua arte.

Gostei muito de conhecer o André, e tenho a certeza que através de pessoas como ele, nós portugueses podemos mais uma vez dar novos mundos ao mundo, nem que seja numa maneira mais humana de fazer eventos.