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episódio 96 – Rafael Martins

O convidado desta semana é o Rafael Martins, fotógrafo e gerente de dois restaurantes, o Silas e o Silas Chef.

O Rafael entrou em contacto comigo no início do podcast a sugerir convidados, um deles cheguei a entrevistar, o Pedro Albuquerque, o outro ainda não consegui, mas espero coneguir.

Fomos mantendo contacto através do facebook, e em Maio, por altura do meu aniversário ele disse-me que se eu quisesse um dia bem passado ia lá ter com ele a Muge, e iríamos à Casa-Estúdio do Carlos Relvas na Golegã, e almoçaríamos no Silas Chef.

Meses depois, perguntei-lhe se o convite estava de pé, e se ele estaria disponível para ser entrevistado, a resposta foi positiva e lá fui eu ter com ele.

Cheguei lá, e encontrei o Rafael na companhia de um amigo, que passou também o dia connosco, o Vieira Jardim, que escreve uns belos textos, e é uma pessoa bastante divertida.

Fizemos uma visita guiada ao Silas, onde o Rafael nos explicou os conceitos por trás de muitas das ideias que teve para o espaço, como o balcão que contém desenhos feitos com vinho, a caixa de vinho que contém um pampilho inteiro cortado em vários segmentos, e outras coisas que tais.

Comemos uma (espectacular) bifana logo pela manhã e arrancámos em direcção à Golegã onde nos esperavam para a visita guiada à Casa-Estúdio do Carlos Relvas.

Aconselho vivamente a visitarem, tanto pelo espaço em si, como pela história fantástica deste português visionário.

O Rafael entrou para a colecção de honra da Associação Portuguesa dos Profissionais da imagem com este remake do autoretrato do Carlos Relvas, alguém que admira bastante.

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Fomos então almoçar ao Silas Chef onde comi uma bifana deliciosamente criativa, com o nome de Vila Morena, e uma vez que o meu pai é de Grândola, e eu gosto muito de lá ir, achei apropriado.

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Eu sei que não se devem partilhar fotografias de comida tão apelativa, acho que se chama food porn, mas é totalmente justificado, uma vez que assim vos deixo a vontade de ir lá experimentar, esta e muitas das outras bifanas, com um nome e uma história.

A conversa fluiu, bebemos, comemos, e até o Vieira Jardim, perguntou se eu e o Rafael nos conhecíamos, e eu disse que apenas através do facebook, porém tem sido comum estes encontros com pessoas que partilham comigo uma certa insatisfação de haver tanto para fazer, tão pouco tempo, o não se questionar o porque sim, o gosto pelas artes, pelo querer fazer diferente.

No entanto o Rafael distingue-se de mim pelo facto de ter insistido em trazer ao mundo bifanas diferentes, passando noites a arriscar, a tornar-se um ponto de referência para quem queria comer bem, fosse a que horas fosse.

Eu não me lembro de ter insistido em muitas coisas na minha vida, a não ser na teimosia de não querer que as coisas sejam só porque sim, mas desisti muita vez de várias coisas, sem saber se insistindo mais um pouco o resultado não seria bem melhor, e com real valor.

Como me disse, tenta colocar arte em tudo o que faz, uma vez que neste momento não lhe é possível viver da arte, mas isto para mim também é criatividade, é colocar criatividade na arte de viver.

Mais uma vez agradeço ao Rafael um dos melhores dias que tive nos últimos tempos.

O único lamento que tenho é que a melhor bebida que me lembro de ter provado, o “imprevisto” um vinho licoroso que o Rafael lá tinha, ainda não seja “possível” de provar por todos nós.

improvavel

 

Aqui fica o trailer do Lost Highway do David Lynch, um filme que marcou o Rafael, e coincidentemente, a mim também.