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Futuro Eu, Presente Eu

Já és quem queres ser?

O que te falta?

A mim faltam-me algumas coisas, mais até do que gostaria de admitir, mas esta semana ao reflectir sobre o que quero ser e fazer, finalmente algo encaixou, parece-me que de vez.

Se quero ser algo de diferente daquilo que sou hoje, terei de ser algo de diferente, hoje.

É fácil dizer que se tivesse isto ou aquilo é que eu poderia fazer isto ou aquilo, e assim seria isto ou aquilo, no entanto está ao contrário, não é Ter, Fazer, SER, é sim SER, Fazer, Ter.

Se eu quero ter uma vida criativa, devo criar coisas, sendo assim criativo.

Na minha reflexão, pensei num conceito que ando aqui a desenvolver na minha cabeça, algo que faz sentido para mim, o sermos Seres Humanos de Alta Competição. Admiramos, reconhecemos o valor dos atletas de alta competição, a sua dedicação, o seu esforço, a sua paixão, entrega, e também as suas conquistas, as suas vitórias, ora, se adoptarmos essa maneira de encarar a vida, não só numa determinada área de performance, iremos aproveitar a vida ao máximo, não deixando nada para dizer ou para fazer quando se fazem as contas finais.

Quando os momentos de dúvida, de falta de motivação surgem, pergunto-me – o tal atleta de alta competição que quero ser, o que faria hoje, aqui, agora, nesta situação?

É esse Ser que temos de Ser todos os dias, em todas as decisões que tomamos, é a partir desse ideal imaginado que devemos tomar as nossas decisões, não podemos estar à espera que só quando me tornar o tal futuro eu tome decisões que implicam com o presente eu. Se for o presente eu a tomar as decisões, iremos ficar encravados numa história que se repete, ficamos no passado eu.

O futuro eu, posso sê-lo hoje, o exercício é mesmo esse é tornar o futuro eu no presente eu, aquele que hoje pode tomar decisões que vão implicar na chegada a esse eu imaginado e ideal.

Passos para lá chegarmos.

Primeiro: Que futuro eu é esse? Sabes quem é? Que valores tem? Que relações tem? Que vida tem?

Usa a tua imaginação, vê-te no futuro a ser o teu melhor, aquele que atinge os tais resultados que te preencheriam, aquele que é alguém de que tens orgulho.

No fundo falo aqui de visão.

Se tiveres dúvidas pensa em alguns exemplos de pessoas que admiras e respeitas, porque razão os admiras, se são todas as suas características, ou algumas em particular. Aponta-as, guarda as que melhor te soam.

Segundo: Cria lembretes, mecanismos, hábitos que te levam a ser a pessoa que dizes que queres ser.

Esta semana criei uma imagem de fundo no computador com seis pessoas que admiro e respeito, para me relembrar quem quero ser, mas sobretudo quem escolhi ser.

Terceiro: Sempre que tiveres de tomar uma decisão, essa decisão deve ser tomada por esse futuro eu que tu tornaste presente eu. Exemplos: “Devia ir ao ginásio, mas não me apetece. O que faria o tal futuro eu que quero que seja o meu presente eu?” São as pequenas decisões do dia a dia que nos tornam naquilo que queremos ser, não podemos ficar à espera que um raio nos atinja na cabeça e nos diga que somos especiais, e que temos autorização para sermos melhores.

Os Seres Humanos de Alta Competição, tal como os atletas de alta competição são rigorosos no seu descanso, na sua diversão, na sua alimentação, nas suas relações.

Imaginas o Rafael Nadal, a comer má comida todos os dias? Achas que trabalha 16 horas por dia e dorme 3 ou 4? Achas que está sempre a discutir com o seu treinador ou com a sua família? Achas que é possível seres a tua melhor versão se a vida for um enorme calvário de obrigações, onde a diversão nunca entra?

Os tais atletas de alta competição, aqueles que atingem os níveis mais altos são aquele que vemos divertirem-se a terem gozo de estarem a fazer o que gostam.

Não adianta trocar aquilo que queres ser por aquilo que queres ter. Não adianta ter um carro de 300cv se afinal tu gostas é de andar calmamente à beira mar a usufruir dos cheiros e da brisa que te entra pelas janelas.

Eu tenho caído na armadilha, e esta semana tive um “wake-up call”, um confronto com algo que não queria ver. Uma das minhas filhas comentou com a mãe:

“O Pai nunca sorri.”

Fiquei de rastos, percebi que não era só uma sensação interna, transparecia, e mais do que tudo, tocava nas pessoas que me são mais próximas.

Foi esse confronto com uma coisa dura e difícil que me obrigou a ser já hoje o tal Ser Humano de Alta Competição que imaginei ser o futuro eu.

Nesse mesmo dia estabeleci que vou sorrir mais, mas não aquele sorriso amarelo, forçado, vou ser aquele que se diverte, aquele que descansa, aquele que dá o seu máximo em  tudo o que faz, porque só neste exercício de carga/descanso é que nos faz crescer.

Terei de ser tão exigente com o que faço, como com o que não devo fazer, criando espaço para a alegria e a diversão.

Conhecemos atletas, vêmo-los nas televisões, que não se entregam, que não têm aquela paixão que vem da diversão, da alegria, criticamos, mas não olhamos para nós, para onde nós falhamos.

Tenho um amigo que considero bem sucedido que sempre me disse – “Work hard, but Play harder”. Esse deve ser o nosso mote, jogar, brincar com todas as nossas forças porque sabemos que demos o nosso máximo, para depois não ficarmos a ruminar, a pensar no que deveríamos ter feito, que ficou aquém daquilo que poderíamos ter feito.

Estabelece o teu plano de Ser Humano de Alta Competição, quais os teu períodos de carga, de esforço, mas planeia com igual rigor os teus períodos de descanso, de diversão.

Não te contentes com menos, é merecedor de mais.

És criativo, por isso cria-te, cria a melhor versão possível de ti.

Dúvidas, sugestões, rui@falarcriativo.com