Tagged show up

Na luta

Não é o crítico quem conta; não o homem que aponta como o homem forte tropeça, ou onde o fazedor de ações poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está realmente na arena, cujo rosto é marcado por poeira, suor e sangue; que se esforça valentemente; quem erra, que fica aquém de novo e de novo, porque não há esforço sem erro e falta; mas quem realmente se esforça para fazer os atos; quem conhece grandes entusiasmos, as grandes devoções; quem se dedica a uma causa digna; quem sabe, no final, o triunfo da grande realização, e quem, no pior, se falha, pelo menos falha ao ousar muito, para que o seu lugar nunca seja com aquelas almas frias e tímidas que nem conhecem a vitória nem a derrota .

Theodore Roosevelt 

A vida traz-nos aquilo que precisamos, é o que se costuma dizer.

Mas será sempre verdade?

Se sim, porque razão nos queixamos e resistimos?

Esta semana, mais precisamente ontem ouvi dois podcasts que embora diferentes, me fizeram ligar pontos na minha vida.

Um deles foi com o Seth Godin no podcast do Tim Ferriss  , onde ele falava que o segredo e aquilo que carateriza um profissional é o aparecer, o estar presente, o “show up”.

“80 percent of success is just showing up” —Woody Allen

O Woody Allen também lhe dá razão, e como o Seth refere nós não queremos um cirurgião que está para nos operar se vire para nós e nos diga que no dia que foi marcado para a nossa cirurgia não está inspirado e que teremos de voltar noutro dia em que a musa lhe toque.

No entanto, como artistas, criativos, temos a tendência para esperar, mas sobretudo desculparmo-nos com a falta de inspiração, que não temos nada para dizer, tal como eu fiz durantes algumas semanas em que estava mais cansado e não publiquei nenhum episódio.

É verdade que estava cansado, que muita coisa estava e está a acontecer na minha vida, mas percebo agora com a distância que o que aconteceu foi eu não ter a energia para escrever o texto que eu achava que tinha de escrever. Foi o medo de estar a falhar segundo um padrão que me auto impus, de expectativas do que outros iriam achar de um texto mais curto, mais fraco, mais longe do que acho ser um excelente texto.

Vejo que foi mais a pressão de ter de escrever setecentas, mil, ou mil e quinhentas palavras que me fez tornar o cansaço numa barreira. O cansaço, real que seja, e que fosse, não é justificação para não estar na arena, para não fazer o melhor que consigo segundo aquelas condições. Textos perfeitos quase nunca serão, mas se evito as situações em que tenho oportunidade de crescer, de aprender a fazer um texto pequeno, de aprender a aceitar que a pressão é minha e só minha, que ninguém o pode fazer por mim, menos repetições terei no meu treino, e como sabemos para evoluir há que treinar.

E tu, também andas a adiar alguma coisa, a fazer só quando apetece?

O mais certo é que aqueles que imaginamos como potenciais críticos do que queremos fazer, são aqueles que nunca puseram o pé na arena, aqueles que vivem na bancada dar instruções, mas poucas vezes chutaram uma bola.

Queres viver a tua vida à espera da aprovação daquelas pessoas que nunca tentaram nem vão tentar?

Ou queres partilhar as tuas histórias de vitória e derrota com aqueles que como tu têm a coragem de falhar?

No meu percurso uma coisa tenho a certeza, aqueles que também tentam, arriscam, aqueles que querem crescer, são os mais compreensivos e tolerantes com quem falha. Sabem bem o que é empurrar os limites para cima, cada vez mais alto, criando novos parâmetros para quem vai atrás deles. 

Os que segues como exemplo, querem que tenhas sucesso, aqueles que vão a abrir caminho fazem-no porque querem que outros cheguem mais longe, por isso foca-te neles e não naqueles que te irão criticar se caíres quando tentas chegar mais longe.

A sociedade cria a ideia de sucesso, sobretudo rápido e fácil, e os que realmente trilham os caminhos de sucesso, não conheço nenhum que diga que não teve dificuldades, que não falhou.

Assim sendo, porque razão continuamos a acreditar nessas versões cor de rosa, mas mais perigoso ainda, porque razão baixamos os braços quando ao primeiro embate tomamos consciência que não vai ser nem rápido nem fácil?

Sei que todos nós temos muito para dar, e aqueles que dão mesmo são aqueles que preferem passar tempo com os que arriscaram do que ficar parado a ouvir as teorias porque vamos falhar daqueles que nunca tiveram a coragem de enfrentar a batalha de estar cem por cento vivo.

Escolhe, sim és tu que tens de ter a coragem de escolher, não culpes nada nem ninguém.

A outra coisa que ouvi ontem, foi o podcast Finding Mastery do Michael Gervais onde ele entrevistou a Brené Brown , e ela referia que se farta de fazer estudos para perceber como as pessoas lidam com a vergonha, a coragem, e todas as boas práticas daqueles que o melhor fazem, no entanto dá por ela a ter a tentação de não tomar o seu próprio remédio.

A Brené Brown nas suas viagens, encontra montes de palestrantes que falam de equilíbrio, performance, bem estar, que andam esgotados, desiquilibrados e uns verdadeiros cacos.

Mas afinal de que serve estas pessoas estudarem estes assuntos, partilharem com outros, se depois não o aplicam?

Ora aí está outra carapuça que me serviu, e desde o momento que ouvi comecei a refletir como é que eu que defendo certas coisas aqui, e na minha vida por vezes me deixo tentar pelo lado mais confortável, mas sobretudo menos coerente e tolerante.

Hoje, quando percebi que tinha coisas para dizer, que até tinha algum tempo, tive a tentação de vir logo para o computador, relegando aquilo que me faz estar melhor para depois. Mas ao lembrar-me de praticar aquilo que defendo, primeiro fiz o meu exercício físico, os meus alongamentos, a minha meditação, a minha leitura, levei os cães à rua, e só depois me sentei a escrever.

As bases devem ser sólidas, caso contrário seremos sempre aquele atleta que escolhe não fazer trabalho de reforço no ginásio porque não tem tempo, mas acaba por gastar mais tempo consumido por lesões.

Deixo-te um desafio, escolhe uma das muitas poerguntas que fui fazendo ao longo do texto e envia a tua resposta para rui@falarcriativo.com.