Ter tudo

Com certeza já ouviste dizer que não se pode ter tudo, posso-te dizer que é mentira.

Pode-se ter tudo. Só não se pode ter tudo sempre.

Quando tive de escolher no meu 9º ano qual a área que deveria seguir, a escolha vinha com o peso de ser uma escolha para a vida, escolher o que queria ser quando “fosse grande”.

Mesmo quando somos pequenos perguntam-nos o que queremos ser quando formos grandes e só aceitam respostas concretas, do género: médico, advogado, economista, pasteleiro, polícia, bombeiro…mas e se nós quisermos ser electricista/pintor/pastor de cabras/professor/músico/ filósofo?

Ah, não, tens de escolher um!”

Quem disse?

Eu já trabalhei em várias coisas, já pratiquei vários desportos, já tive um sem fim de interesses e hobbies, no entanto vivi muito tempo com o peso, a culpa, o sentimento de que algo estava errado comigo por não querer ser só uma coisa, não ter só um interesse, e não gostar só de um desporto.

Já deves ter ouvido aquelas histórias de pessoas que têm uma vocação, uma paixão, e a perseguem com todas as suas forças e achaste fantástico, e eu também.

Mas não somos todos iguais, e apesar de ver o valor nesses percursos, também vejo hoje em dia as enormes vantagens de me interessar por várias áreas.

Tenho um podcast onde entrevisto pessoas de áreas diferentes, e esse meu percurso variado faz com que consiga mais facilmente ligar-me aos convidados, falar a mesma língua.

Mas há um lado menos bom desse percurso, que eu aprendi há pouco tempo, e aproveito este espaço para te o explicar, e dessa forma, fazer com que possas ter tudo.

Podemos ter tudo, temos é de escolher em determinados momentos só fazer uma coisa, aplicar todas as nossas forças num determinado interesse, numa determinada profissão, desporto ou hobbie.

Imagina que gostas de música e que gostarias de ter uma carreira musical, no entanto a tua situação neste momento não te permite (pode ser uma situação económica, familiar, saúde, etc.). O que aprendi que se deve fazer nestas situações não é esquecer o sonho, revoltarmo-nos contra os que nos rodeiam e o mundo em geral, por ser injusto, mas sim pensar que neste momento devo concentrar as minhas forças em resolver aquilo que me pede mais atenção, mantendo a chama acesa daquilo que realmente me faz feliz.

Eu muitas vezes joguei energia fora a reclamar de como as coisas deveriam ser, em vez de usar a minha energia para trabalhar no que quero, ou a pensar em maneiras de resolver o que me está a impedir.

Nesses momentos, deixei de sonhar, deixei de ser parte da solução, e tornei-me parte do problema.

A pressa de querer ser tudo ao mesmo tempo, ou de achar que aquilo que escolho agora, determina o resto dos meus dias trouxe-me muita revolta e, com isso, ficar a patinar na lama da qual desejava sair.

A vida dá muitas voltas, e aquilo que é verdade hoje pode não o ser amanhã, mas se todos os dias colocares a tua energia na tarefa que está à tua frente, saberás que és capaz disso e de tudo o resto que queiras ter e ser.

Por isso podes ter tudo, uma coisa de cada vez.