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episódio 112 – Ana Albuquerque

A convidada desta semana é a Ana Albuquerque que conheci no colégio da minha filha, tendo me sido apresentada como “alguém que devias conhecer e entrevistar”.

Assim foi, conhecia-a, e depois combinámos a entrevista.

No dia combinado, fui ter à casa da Ana, ela quis saber mais sobre o Falar Criativo, e pusemo-nos à conversa, de tal maneira que acabou-e o tempo que ambos tínhamos disponível e nada de entrevista, zero gravação.

A Ana até ficou um pouco sem jeito de termos passado aquele tempo todo à conversa, uma hora e meia, e termos de combinar para outro dia. Felizmente, ambos tínhamos um bocado disponível no dia seguinte, e conseguimos gravar.

Falámos do seu percurso, mas talvez menos desse assunto do que é habitual eu falar nestas minhas conversas, e centrei-me mais no processo, e o que pretende a Ana transmitir com aquilo que faz.

É a segunda convidada que tenho ligada à joalharia, a primeira foi a Leonor Hipólito, que tem até hoje o maior número de downloads do Falar Criativo até hoje, mais de 800. Falo na Leonor, também porque a Ana a conhece.

As jóias são objectos muito pessoais, com os quais normalmente há relação próxima, mais ostensiva nalguns casos, e bem discreta noutros. Eu entendo a jóia como um adorno para ocasiões especiais, e algo que para fazer sentido deve ser de grande valor, deverá ser embuida da carga que se pretende transmitir quando se usa.

A Ana falou numa questão que fez muito sentido para mim, mas algo que nunca reflecti muito, que é os objectos terem uma carga, uma energia, uma identidade que vai para além da sua materialidade, isto é, um objecto que mesmo que eu o desfaça em pedaços vai sempre carregar uma história daquilo que foi, dos lugares por onde passou, as pessoas que foram tocadas por eles… Sou pessoa de me apegar aos objectos, guardo t-shirts da minha adolescência, tenho dificuldade em separar-me de livros, porque para mim, eles são aquilo que se passou, aquilo que vivi. No entanto eles serão sempre apenas uma parte, um lembrete, nunca serão o todo da experiência, isso, não volta.