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episódio 37 João Gomes

O convidado desta semana é o João Gomes, alquimista da terra, artista plástico que trabalha com barro.

O João aos trinta anos decidiu largar o emprego que tinha e dedicar-se à cerâmica, já conhecia o material, e gosta da tridimensionalidade que a escultura tem, então arriscou.

Na altura em que ele o fez, segundo ele, as coisas eram mais fáceis do que são agora, quase todas as peças que fazia se vendiam, o cenário mudou e comercializar tornou-se mais difícil.

Uma coisa que falámos foi a dificuldade que muitos criativos/artistas têm em vender aquilo que fazem, quase um sentimento de vergonha em trocar dinheiro pelas suas obras.

O João até comentou comigo que muito mais facilmente consegue vender as peças de outros artistas do que as suas.

A cerâmica como forma de expressão artística mais pura, segundo o João, é algo que a nossa cultura não está muito habituada, ele sente que o facto de não haver muita divulgação faz com que o público, ao ser menos culto e exposto a esta vertente da cerâmica, tenha mais dificuldade em aderir, apreciar e comprar.

O João tem uma loja digital onde vende os seus trabalhos, mas o seu mercado principal é o estrangeiro, que comprova aquilo que ele sente, de a falta de aculturação “ceramista” ser um obstáculo ao entendimento do seu trabalho, algo que no estrangeiro não se verifica, sobretudo centro e norte da Europa.

O João descreve que o ir para o atelier, trabalhar nas suas peças é algo que o absorve totalmente, que o faz perder a noção do tempo, mas ele também já percebeu que o forçar as coisas criativamente não funciona, é preciso deixar fluir, não significando isso que devemos sentar-nos à espera que as coisas aconteçam.

episódio 20 Paulo Arraiano

O convidado desta semana é o Paulo Arraiano, artista plástico, mais conhecido pela street art, mas que faz outras coisas igualmente interessantes.

Ele é um dos artistas residentes no Cidadela Art District em Cascais, projecto muito interessante que criou espaços para galerias e para artistas, dentro de uma pousada, unindo um hotel a um bairro das artes.

Da conversa com o Paulo retirei várias coisas, uma delas é o facto de os criativos serem pouco criativos na parte económica, se calhar não são todos, existem exemplos que usam a sua criatividade para gerar negócios de milhões, acho sim que tem a ver com incluir espaço para essa área e sobretudo um mindset mais comercial, mas Vender sem nos Vendermos.

A relação que ele tem com a Natureza é algo que acho muito interessante, também acredito que é lá que está tudo o que precisamos como fonte de inspiração, é, é mais súbtil, implica mais atenção, pois a descodificação ainda não está feita e tem de ser feita por nós.

A ideia que o street art pode funcionar como ponto de acupuntura, achei que faz todo o sentido e nunca me tinha ocorrido. Normalmente a street art é feita em zonas degradadas ou abandonadas, ao criar um ponto de atracção vamos irrigar com pessoas aquela parte que está doente, e dessa forma levar algo que pode ajudar a curar.

As frases que mais retive depois de re-ouvir a nossa conversa foram, uma do Paulo outra do Milan Kundera:

“Pouco é o tempo que temos para pensar.”

“O coeficiente da velocidade é proporcional ao coeficiente do esquecimento.” –  Milan Kundera in “A Lentidão”

episódio 14 Leonor Hipólito

A convidada desta semana é a Leonor Hipólito, joalheira, artista plástica que tem neste momento uma exposição em Lisboa, no Espaço AZ.

A Leonor é uma pessoa, como ela própria o diz, muito mental, e isso nota-se ao longo da entrevista, percebe-se que existe reflexão sobre aquilo que faz e o como fazer, que nos diz que o processo criativo não é algo que possa ser forçado.

Gostei desta conversa calma que tivemos, num dia de chuva, onde retirei para mim, que é importante ser tolerante ao que vai surgindo quando se faz, e que quando se faz aquilo que se gosta, a necessidade de férias é relativa.

 

  • O site da Leonor, aqui.