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episódio 108 – David Soares

O convidado desta semana é o David Soares, escritor, uma das pessoas sugeridas pelo anterior convidado, o André Oliveira.

Foi o próprio André que lhe falou no podcast, e no meu interesse em entrevistá-lo.

Feita a ponte, combinei com o David no Centro Cultural de Belém, e à hora combinada lá nos encontrámos.

Enquanto o David tomava um café fomos conversando, e posso dizer que fui entrevistado por ele, entre várias perguntas, quis saber de todos os convidados, quais tinham sido os meus preferidos.

Lá lhe disse alguns, mas saliento que todos foram importantes, claro por razões diferentes, e em momentos diferentes.

Tenho um fraco pelo ofício da escrita, sobretudo pela ficção, essa capacidade de imaginar mundos, universos, de criar emoção em quem lê, e sem lhes tocar ter a magia de os fazer viajar, viver aventuras.

Falámos muito sobre o que é o seu universo autoral, de que ideias têm o direito a ser trabalhadas, a busca do tom, o como, a importância de ter coisas para dizer.

A nossa conversa foi longa, mas garanto que houve muitas coisas que gostava também de ter perguntado, tal é a riqueza do processo dele.

O David é bastante sereno, e devo confessar que pela investigação prévia que tinha feito, e por sentir alguma reserva inicial, eu estava no início com algum receio de não estar à altura do escritor que tinha pela frente.

Mas como ouvi outro dia, se estivermos dispostos a ouvir, saberemos o que dizer.

No momento em que em que comecei a gravar decidi, ouvir, ouvir com muita atenção, aproveitar ao máximo a oportunidade que tinha pela frente, de ouvir na primeira pessoa o processo de alguém tão respeitado, com obra feita, e bem feita.

É por causa destas oportunidades que vale a pena a parte de esforço que faço para todas as semanas, desde Dezembro de 2013, ter um episódio disponibilizado para outros ouvirem, dignificando os meus convidados, e inspirando quem os ouve.

Tantas coisas que poderia partilhar aqui, e que aprendi nas quase três horas que estive com o David, mas a mais importante é a de ter a “loucura” de estar perante uma mudança, e dar um passo em frente com a confiança que vale a pena.

Livros sugeridos, foram muitos, mas aqui ficam links para alguns.

  1. “Tambor de lata” do Günter Grass.
  2. “Stoner” do John Williams.
  3. “Darconville’s Cat” do Alexander Theroux.

 

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episódio 107 – André Oliveira

O convidado desta semana é o André Oliveira, argumentista que recentemente ganhou o prémio de melhor argumento no festival de banda desenhada da Amadora, com o livro “Volta”.

Nas minhas visitas ao festival, tomei contacto com o trabalho do André, e rapidamente percebi que, primeiro tinha de comprar o livro “Hawk”, e de seguida falar com ele.

No dia que comprei o livro, fui logo lê-lo, e como a minha história tem muitas coisa parecidas com o Vicente (o personagem principal), facilmente tocou em botões dentro de mim que me fizeram comover, a ponto de ter ficado num estado quase de transe emotiva, da qual só acordei quando voltei ao meu local de trabalho e uma colega me pergunta o que é que se tinha passado, se estava tudo bem.

Estava tudo bem, porque como falei com o André, procuro ser tocado pela arte, sentir-me vivo, sentir renascer coisas que fui desligando, tornar-me mais daquilo que sou.

Nos dias antes de falar como André fartei-me de comentar com várias pessoas que o ia entrevistar, e que até estava algo nervoso, uma vez que percebi pela investigação que fiz, tratar-se de um excelente argumentista, mas acima de tudo uma boa pessoa.

O texto que o Mário Freitas escreveu como prefácio da colectânea “Casulo”, descreve o Sr Oliveira, que se torna André como sendo um aglutinador de pessoas à sua volta, e alguém com a capacidade de rir de si próprio.

Aquilo que vos posso dizer é que reconheço nele uma grandeza que senti também no Filipe Melo, pessoas que são muito maiores que a sua obra, sendo essa obra gigante. Essa grandeza vem de uma grande generosidade criativa, um ego diminuto que permite trabalhar com muitas e variadas pessoas, com igual grau de sucesso.

Se há característica que tento copiar é essa de conseguir não alimentar o ego, nem sempre o consigo. E a razão para esse insucesso, vem de querer ser visto pelos outros como relevante, e aqueles que são relevantes, simplesmente o são.

Ele escreve livros “na sua pessoa”, e eu tento fazer entrevistas na minha pessoa, e aqueles que correram menos bem, foram aqueles em que tentei ser outra pessoa, alguém que achava ser mais o mais indicado para a ocasião, mas não eu. Nessas ocasiões escondi-me, e quem apareceu era um boneco de cartão, sem profundidade. E é na profundidade que está o valor.

Percebo cada vez melhor a força que existe na persistência e na capacidade de ser parte, e não estar permanentemente aos saltos para ser escolhido.

Eu escolho ser parte, eu escolho sonhar com um mundo onde não se divide a tarte em mais partes, mas todos fazemos uma tarte maior.

A banda desenhada parece-me caminhar nesse sentido, e eu fico muito feliz por isso.

Livros sugeridos:

  1. “O Amor infinito que te tenho e outras histórias” do Paulo Monteiro
  2. “Lisboa Triunfante” do David Soares
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episódio 106 – Francisco Sousa Lobo

O convidado desta semana é o Francisco Sousa Lobo, autor de banda desenhada e mais coisas que poderão pesquisar no site dele.

Eu aproveitei a oportunidade que me foi concedida de ter entrada livre para o festival Amadora BD,  já lá fui duas vezes, nas minhas horas de almoço, e aconselho vivamente.

Logo na primeira visita chamou-me à atenção o trabalho do Francisco, “O desenhador defunto”, entrei em contacto com ele, e rapidamente acedeu e fizemos a entrevista vis Skype, pois ele vive em Londres.

Falámos muito do que é, pode, deve,   ou não deve ser o desenho, é algo que me intriga, e que o Francisco tem pensado sobre.

Eu senti-me algo nervoso, com necessidade de fazer acontecer este episódio, e penso que por vezes terei falado mais do que devia, interrompendo-o até. Sei que presencialmente, sem esta pressão auto-imposta, teria sido uma conversa mais fluída.

Por outro lado, dei por mim, a fazer perguntas mais arriscadas, tentando perceber os processos mentais por trás das decisões artísticas, esmiuçando os processos, talvez como forma de compensar esse meu nervosismo.

Tocámos em coisas que parecem não ter nada a ver como fé e religião, mas a conversa acabou por me revelar processos mentais que contenho em mim, e que espero mais pessoas se consigam relacionar.

O Falar Criativo tem, e já o disse, um lado muito subjectivo e egoísta, o meu.

As conversas que vou tendo, são as que quero, e de certa forma, preciso ter. Procuro pistas, validação de coisas que penso, que aspiro, mas frequentemente me confronto com maneiras diferentes de pensar, que ajudam a tornar o quadro mais rico e mais real.

 

 

episódio 22 Filipe Melo

O convidado desta semana é o Filipe Melo, músico de jazz, autor de banda desenhada, realizador, uma mente irrequieta e criativa.

O Filipe veio à Biblioteca de São Domingos de Rana falar do processo de fazer a trilogia de banda desenhada “Dog Mendonça e PizzaBoy”. No fim dirigi-me a ele e perguntei se ele estaria disponível para ser entrevistado para o Falar Criativo, e após dizer qualquer coisa do género “…se achares que eu tenho algo para dizer…”, deu-me os seus contactos, e assim que foi possível encontrámo-nos para conversar.

A humildade e generosidade do Filipe é sincera e presente, o que só o torna maior, mesmo grande.

Foi uma conversa cheia de histórias, de pontos de vista, de experiências pessoais, onde mais uma vez vi que a dúvida faz parte de quem tem a inquietação de fazer coisas.

A “inveja boa” e a “monogamia de ideias”, foram dois conceitos que adorei e vou usar com mais frequência.