Tagged criatividade

Herói, vítima ou aprendiz?

Queres ser sempre o herói, ou gostas de te fazer de vítima?

Tenho andado a pensar nisto, da facilidade com que vamos para um extremo ou para o outro, por um lado fazemos filmes nas nossas cabeças de como iremos ser uns heróis, que iremos salvar o dia, que somos donos da razão, e por outro lado fazemo-nos de vítimas, culpamos os outros pelas coisas que correm mal na nossa vida, que iremos falhar redondamente, que nunca conseguiremos e que precisamos que nos dêem um ombro para chorar.

Mesmo estes textos escrevo-os, das duas perspectivas, agora que penso nisso tenho escrito textos em que o mundo é complicado, mas eu sou dono de uma qualquer verdade que me permite saber mais que o comum dos mortais, ora sou vítima ora sou herói.

E se não fôr nem uma coisa nem outra?

E se estiver sempre numa posição de alguém que está a aprender?

Quem está a aprender não será nem uma coisa nem outra, é somente alguém curioso que tenta perceber o que acontece e resolver da melhor forma.

É fácil acharmos que se descobrirmos uma resposta a um problema que nos surgiu, nos torna superiores aos outros, o herói, quando na verdade somos apenas alguém que tentou algo que correu bem, que reflectimos sobre isto ou aquilo e a nossa reflexão foi bem sucedida.

Mas o reverso da medalha também é verdade, se errarmos na resposta às dificuldades da vida, não faz de nós vítimas das circunstâncias, impotentes e incapazes de tentar outra vez, e outra, e outra, até conseguirmos.

Não sei de vítimas que tenham chegado longe, nem sei de heróis que nunca tenham falhado, logo heróis e vítimas não são, ou não deverão ser o nosso alvo, mas sim ser o eterno estudante que aconteça o que acontecer vai retirar aprendizagem e com isso avançar.

Na nossa cabeça, pelo menos na minha, a conversa da vítima consegue ser bem sedutora, ajuda-nos a esconder, não temos de ser corajosos, para todos os efeitos precisamos é que tratem de nós, é um caminho aparentemente fácil para sermos protegidos e amados devido à nossa fragilidade. O lado negativo é que nos deixa prisioneiros das circunstâncias, dependentes de outros que a qualquer momento podem ter assuntos bem mais interessantes do que tomar conta de alguém que escolhe dar ouvidos a uma conversa que não faz ninguém avançar e nos destrói pelo lado de dentro. Não temos qualquer hipótese de alterar a situação, afinal de contas nós somos a vítima!

Do lado do herói há mais pessoas que conseguem chegar mais longe, a confiança é importante para que o nosso objectivo se torna realidade, temos de acreditar que somos capazes, temos de nos ver vitoriosos. Porém, esta visão de sucesso heróico coloca me muitos de nós muita pressão, cria ansiedade uma vez que não se espera outra coisa dos heróis que não seja a vitória. No entanto os heróis facilmente se tornam arrogantes, pretenciosos, acham que tudo gira à sua volta, desvalorizam aquilo que os outros podem trazer para a equação acabando por criar uma série de armadilhas que mais tarde ou mais cedo eles próprios caem.

Se em todas a situações eu acreditar na minha capacidade de aprender, na minha capacidade de pedir ajuda, não como vítima mas como alguém que quer partilhar a viagem, é impossível haver fracasso.

Sim, leste bem, I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L!

Como assim?

Pensa bem, se eu partir para as coisas com a atitude de aprendiz, nada do que acontecer se pode chamar de fracasso, aconteça o que acontecer eu aprendo, corra bem ou terrívelmente mal, eu fico a saber mais do que sabia antes de ter passado por aquela situação.

Estes textos são isso para mim, formas de confrontar o que acho que sei, com aquilo que depois vejo escrito, que ouço, com o retorno dos ouvintes, das pessoas que lêem, seria mais fácil para mim fazer-me de vítima, dizer que ninguém liga ao que penso e escrevo, que o mundo não me compreende e dessa forma arranjar uma desculpa para parar. Do outro lado está a questão do herói, se eu achasse que era o maior, escrevia qualquer coisa, a primeira coisa que me viesse à cabeça sem um mínimo de preocupação com a qualidade do que escrevo e completamente imune às críticas que vou recebendo, não tendo dessa forma maneira de evoluir, se eu já sei tudo nada mais posso aprender.

Resumindo, não te escondas atrás de um diálogo interno de vítima que pode parecer confortável mas não te deixa sair do mesmo sítio, nem te coloques num pedestal que te afasta dos outros e sobretudo da melhor versão de ti.

Escolhe a conversa interna que promove o teu crescimento, com pessoas ao teu lado, seguro que nunca falharás, pois armado da vontade de aprender nada te pode parar, não crias expectativas irrealistas que te criam ansiedade nem te tratas como um ser indefeso incapaz de se erguer pelos seus próprios meios.

Seja o que for que enfrentes, confia, repete a ti mesmo que tens a capacidade de aprender e superar.

Qualquer dúvida ou sugestão, rui@falarcriativo.com.


Atalhos

“Não há atalhos para a verdadeira excelência.”

Angela Duckworth

Há alguma coisa que valha mesmo a pena, que não valha a pena esperar?

Quando escolho ir por um atalho, faço-o sabendo que não aprendo o mesmo?

Qual é mesmo a pressa?

Existe este grande desafio hoje em dia do penso rápido, de acabar depressa com o desconforto, o atingir o sucesso em pouco tempo, ficar rico de um dia para o outro criando mais uma app qualquer, todos temos pressa, cada vez mais pressa, mas cada vez mais infelizes.

Somos inundados pelos anúncios que nos dizem que podemos perder peso em “apenas quatro semanas”, que podemos ficar musculados em “apenas dez minutos por dia”, que podemos aprender uma nova língua em “apenas dois meses”, e acabamos por nos sentirmos mal por falhar, por tentar e ao fim de quatro semanas perdemos pouco ou nenhum peso (ou o ganhamos de volta numa semana), que os tais dez minutos por dia não resultam em corpos musculados, e que ao fim de dois meses sabemos dizer olá e bom dia nessa nova língua que decidimos aprender.

O Tim Ferriss é adepto da aprendizagem acelerada, de aprendermos mais depressa, eu também, podemos entender à primeira vista que me estou a contadizer, que critico os atalhos e as receitas, e depois vou pelo mesmo caminho. Vou então tentar explicar o que penso sobre esta relação, atalhos e aprender mais depressa.

Quando busco uma receita para algo, poderá ser até um bolo, busco informação validada por outros que já experimentaram várias vezes juntar ovos, farinha, leite, fermento, açúcar, perceberam que haviam quantidades relativas entre os ingredientes que funcionavam e resultavam num bolo saboroso e de boa textura, e outra vezes em que ficou vazio, muito doce, pouco doce, seco, queimado… percebes o que quero dizer. Mas mesmo nas situações em que estou a seguir uma receita eu vou ter de aprender, vou ter “perder” tempo a executar o bolo, vou ter de aprender a partir ovos, a pesar a farinha, a bater os ingredientes, e vou ter de ajustar a temperatura do forno.

As pessoas que criaram a receita usaram os ingredientes que tiveram acesso, o forno que tiveram acesso, e aqui podem existir diferenças para a minha réplica de bolo seguindo a receita, o forno pode ser mais potente, os ovos podem ser maiores, a temperatura da cozinha onde o bolo é feito pode ser diferente, ter batedeira ou bater o bolo à mão.

Onde quero chegar?

Quero chegar ao ponto de que podemos acelerar o processo de fazer um bolo, sem dúvida, no fim da nossa primeira tentativa de fazer um bolo, iremos ter algo que se assemelha a um bolo, mas duvido muito que seja o melhor bolo que vais fazer se continuares a tentar fazer bolos.

Quem busca fazer melhor, quem busca a excelência como diz a Angela Duckworth está disponível para aprender com os outros mas também está disponível para o desconforto de experimentar, de correr mal, de aprender o que não é para fazer, a arranjar recursos internos para o que não está no plano.

Dou por mim a tentar arranjar atalhos para fazer isto ou aquilo, como por exemplo estes textos, passar o tempo a ler e a pensar para quando chegar aqui e me sentar ser o mais rápido possível, para não me confrontar com o desconforto das coisas não estarem a sair de forma fluida, de parar sem saber o que escrever a seguir, de criticar o que escrevo, de achar que já li isto em qualquer lado, que me estou a repetir. Enfim, é desconfortável fazer qualquer coisa, ou melhor, tudo tem desconforto associado, não há nada que seja só bom e agradável.

Os atalhos, são versões resumidas daquilo que temos de aprender, como se o resumo de um livro se tratasse, e da minha experiência, o resumo não é tão interessante como todas as nuances que o livro contém.

Vou ser sincero, há livros que o nem valia a pena fazer um resumo de tão maus que são, ou o resumo acaba por ser a salvação das pessoas que não têm de ler o livro.

Mas os livros que valem a pena, os filmes que valem a pena, a tua ideia que vale a pena, não podemos usar atalhos, podemos usar referências, guias, ajuda de outras pessoas, mas chega sempre a um ponto que é só nosso, que somos nós a ter de aprender a lição que está incluída no nosso objectivo.

No momento em que eu aceito que o caminho é aquele, preparo-me para ele, os treinos, as aprendizagens incluem o que não correu como planeado, aprendo com os imprevisíveis em treino, dessa forma, quando me coloco a caminho, tenho na minha mala de ferramentas várias situações em que tive de resolver de improvisar.

Quem escolhe andar apenas por atalhos, pode até chegar lá mais depressa, se tudo (mas mesmo tudo) correr bem e como planeado.

Pergunto eu, quantas situações sabes tu que correram exactamente como planeado?

É esse o maior custo dos atalhos, deixa-nos preparados para o que já foi feito, e deixa-nos no nível que os outros estabeleceram para nós, o nível que eles estabeleceram para eles.

Se usares as receitas como ponto de partida, são fontes de aprendizagem. Se usares as receitas com o intuito de ter algo concreto rapidamente, não te admires se ficares no primeiro obstáculo, ou pior, ficar no fim de uma estrada sem saída, que servia apenas para voltar para trás, pois não era para onde querias ir.

A tentação do atalho é legítima, o nosso cérebro pede que terminemos as coisas, evoluiu assim, no entanto tens a capacidade de estabelecer metas mais pequenas que vais completando, tens a capacidade de dizer a ti mesmo que onde chegaste hoje é mais perto do que de onde saíste ontem, que a dor que sentes agora de ainda não ter terminado passará, e acima de tudo saber que a tua escolha de ir pelo caminho que é o teu te torna mais capaz, mais forte. Dessa forma encontras a paz de saber que foste o dono das tuas escolhas que não te limitaste a seguir receitas, a construir mobiliário seguindo as instruções, criaste pratos únicos, e mobília que os teus netos vão ter orgulho de mostrar aos amigos como uma expressão de amor e arte.

Dúvidas ou sugestões, cá estarei para ouvir, rui@falarcriativo.com

 

episódio 147, Little Black Spot – Raquel Costa e Nuno Filipe Cancelinha

Os convidados desta vez são a Raquel Costa e o Nuno Filipe Cancelinha, que juntos compõem o Little Black Spot.

Já em Setembro tinha conversado com a Raquel sem saber que estava a conversar com ela, quando estive no THU, isto é sabia que a Raquel como Little Black Spot existia, mas não a conhecia pessoalmente. Desde aí ficou alinhavado que esta conversa iria acontecer, e quando a voltei a encontrá-la no Amadora BD, conheci também o Nuno, e fiquei com a certeza que tinha mesmo de falar com eles.

Voltei a encontrá-los no Festival de BD de Beja, e aí afinámos calendários para conseguir ter tempo para conversar com tempo.

O leque de coisas que eles fazem é bastante alargado, mas a base é a das histórias, tudo o que fazem conta uma história, seja ele uma ilustração, um texto, uma cadeira, ou a decoração de espaços. São as histórias que nos movem, são elas que nos emocionam, e quando há emoção há acção.

Fica aqui então a pergunta, o que é que te emociona?

Dúvidas, sugestões, o que for, rui@falarcriativo.com.

Livros falados:

 

 

 

Futuro Eu, Presente Eu

Já és quem queres ser?

O que te falta?

A mim faltam-me algumas coisas, mais até do que gostaria de admitir, mas esta semana ao reflectir sobre o que quero ser e fazer, finalmente algo encaixou, parece-me que de vez.

Se quero ser algo de diferente daquilo que sou hoje, terei de ser algo de diferente, hoje.

É fácil dizer que se tivesse isto ou aquilo é que eu poderia fazer isto ou aquilo, e assim seria isto ou aquilo, no entanto está ao contrário, não é Ter, Fazer, SER, é sim SER, Fazer, Ter.

Se eu quero ter uma vida criativa, devo criar coisas, sendo assim criativo.

Na minha reflexão, pensei num conceito que ando aqui a desenvolver na minha cabeça, algo que faz sentido para mim, o sermos Seres Humanos de Alta Competição. Admiramos, reconhecemos o valor dos atletas de alta competição, a sua dedicação, o seu esforço, a sua paixão, entrega, e também as suas conquistas, as suas vitórias, ora, se adoptarmos essa maneira de encarar a vida, não só numa determinada área de performance, iremos aproveitar a vida ao máximo, não deixando nada para dizer ou para fazer quando se fazem as contas finais.

Quando os momentos de dúvida, de falta de motivação surgem, pergunto-me – o tal atleta de alta competição que quero ser, o que faria hoje, aqui, agora, nesta situação?

É esse Ser que temos de Ser todos os dias, em todas as decisões que tomamos, é a partir desse ideal imaginado que devemos tomar as nossas decisões, não podemos estar à espera que só quando me tornar o tal futuro eu tome decisões que implicam com o presente eu. Se for o presente eu a tomar as decisões, iremos ficar encravados numa história que se repete, ficamos no passado eu.

O futuro eu, posso sê-lo hoje, o exercício é mesmo esse é tornar o futuro eu no presente eu, aquele que hoje pode tomar decisões que vão implicar na chegada a esse eu imaginado e ideal.

Passos para lá chegarmos.

Primeiro: Que futuro eu é esse? Sabes quem é? Que valores tem? Que relações tem? Que vida tem?

Usa a tua imaginação, vê-te no futuro a ser o teu melhor, aquele que atinge os tais resultados que te preencheriam, aquele que é alguém de que tens orgulho.

No fundo falo aqui de visão.

Se tiveres dúvidas pensa em alguns exemplos de pessoas que admiras e respeitas, porque razão os admiras, se são todas as suas características, ou algumas em particular. Aponta-as, guarda as que melhor te soam.

Segundo: Cria lembretes, mecanismos, hábitos que te levam a ser a pessoa que dizes que queres ser.

Esta semana criei uma imagem de fundo no computador com seis pessoas que admiro e respeito, para me relembrar quem quero ser, mas sobretudo quem escolhi ser.

Terceiro: Sempre que tiveres de tomar uma decisão, essa decisão deve ser tomada por esse futuro eu que tu tornaste presente eu. Exemplos: “Devia ir ao ginásio, mas não me apetece. O que faria o tal futuro eu que quero que seja o meu presente eu?” São as pequenas decisões do dia a dia que nos tornam naquilo que queremos ser, não podemos ficar à espera que um raio nos atinja na cabeça e nos diga que somos especiais, e que temos autorização para sermos melhores.

Os Seres Humanos de Alta Competição, tal como os atletas de alta competição são rigorosos no seu descanso, na sua diversão, na sua alimentação, nas suas relações.

Imaginas o Rafael Nadal, a comer má comida todos os dias? Achas que trabalha 16 horas por dia e dorme 3 ou 4? Achas que está sempre a discutir com o seu treinador ou com a sua família? Achas que é possível seres a tua melhor versão se a vida for um enorme calvário de obrigações, onde a diversão nunca entra?

Os tais atletas de alta competição, aqueles que atingem os níveis mais altos são aquele que vemos divertirem-se a terem gozo de estarem a fazer o que gostam.

Não adianta trocar aquilo que queres ser por aquilo que queres ter. Não adianta ter um carro de 300cv se afinal tu gostas é de andar calmamente à beira mar a usufruir dos cheiros e da brisa que te entra pelas janelas.

Eu tenho caído na armadilha, e esta semana tive um “wake-up call”, um confronto com algo que não queria ver. Uma das minhas filhas comentou com a mãe:

“O Pai nunca sorri.”

Fiquei de rastos, percebi que não era só uma sensação interna, transparecia, e mais do que tudo, tocava nas pessoas que me são mais próximas.

Foi esse confronto com uma coisa dura e difícil que me obrigou a ser já hoje o tal Ser Humano de Alta Competição que imaginei ser o futuro eu.

Nesse mesmo dia estabeleci que vou sorrir mais, mas não aquele sorriso amarelo, forçado, vou ser aquele que se diverte, aquele que descansa, aquele que dá o seu máximo em  tudo o que faz, porque só neste exercício de carga/descanso é que nos faz crescer.

Terei de ser tão exigente com o que faço, como com o que não devo fazer, criando espaço para a alegria e a diversão.

Conhecemos atletas, vêmo-los nas televisões, que não se entregam, que não têm aquela paixão que vem da diversão, da alegria, criticamos, mas não olhamos para nós, para onde nós falhamos.

Tenho um amigo que considero bem sucedido que sempre me disse – “Work hard, but Play harder”. Esse deve ser o nosso mote, jogar, brincar com todas as nossas forças porque sabemos que demos o nosso máximo, para depois não ficarmos a ruminar, a pensar no que deveríamos ter feito, que ficou aquém daquilo que poderíamos ter feito.

Estabelece o teu plano de Ser Humano de Alta Competição, quais os teu períodos de carga, de esforço, mas planeia com igual rigor os teus períodos de descanso, de diversão.

Não te contentes com menos, é merecedor de mais.

És criativo, por isso cria-te, cria a melhor versão possível de ti.

Dúvidas, sugestões, rui@falarcriativo.com

 

 

Falar mais Criativo – episódio 37, Liderança Criativa

De volta, eu e a Anita,  para o segundo da trilogia de fecho, falamos desta vez de Liderança Criativa.

O que faz um bom líder?

Como podemos nós ser melhores líderes, e melhor liderados?

Quais os maiores erros que os líderes cometem?

Respondemos a isto e muito mais.

Qualquer dúvida ou sugestão, rui@falarcriativo.com ou emaildamais@gmail.com