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episódio 143, Miguel Oliveira

O convidado desta vez é o Miguel Oliveira, fotógrafo que conheci no Muraliza Cascais em 2016 numa visita guiada pela anterior convidada Lara Seixo Rodrigues, perguntei logo pela disponibilidade para ser entrevistado, algo que ele concordou.

O tempo passou, e em 2017, no Guitarras ao Alto organizado pelo anterior convidado Vasco Durão, voltei a encontrá-lo e a lembrar da entrevista que gostaria de lhe fazer. Lá arranjámos depois disso uma data em que ele veio a Lisboa, e em que eu consegui ter a agenda liberta para conversarmos com tempo.

Para ler o texto mais longo com a minhas reflexões sobre a nossa conversa, tornem-se patronos no Patreon.

 

Sites do Miguel:

Livros referidos no podcast:

episódio 89 – Mário Belém

O quinto e último convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Mário Belém.

Foi uma bela maneira de terminar o especial Muraliza, o Mário era um artista que eu já gostava de ter entrevistado, mas havia alguma resistência em mim que eu não entendia.

Percebi quando o estudei mais a fundo para preparar a entrevista, e mais ainda quando o entrevistei, que a resistência não era mais que uma inveja, mas uma inveja boa, no sentido de “ele já está onde eu gostava de estar”.

É um artista reconhecido pelos seus pares, e pelo público em geral, uma vez que o seu trabalho a um nível mais superficial é “fofinho”, como lhe digo durante a nossa conversa, uma linguagem muito próxima da ilustração infantil, mas que tem mais camadas, é mais complexa, tem mensagens subtis que fazem com que a maior parte das pessoas “tropece” nas suas certezas, mas nada de muito violento que as faça cair.

Há um lado muito descontraído na sua maneira de estar, uma tranquilidade que suponho vir desta sua alegria de brincar de forma séria com os materiais, tal como uma criança que experimenta os lápis de cor, a plasticina, os recortes, mas com a maturidade que os 38 anos trazem.

Tal como o Diogo (Add Fuel), o Mário é uma pessoa organizada que trabalha as suas 6 a 8 horas por dia, que tem serão sem trabalhar, que faz por almoçar com a namorada na praia, que faz bodyboard, mas que não deixa de acrescentar valor, e não deixa de ser produtivo, basta seguir aquilo que ele faz para perceber que não dorme em serviço.

Achei engraçado falarmos em dores de crescimento, na passagem do computador para as paredes, em que há de facto um crescer em termos de maneira de olhar, mas também um lado físico que tem a ver com o ter de desenhar um círculo com 2 metros em vez de fazer um pequeno círculo com o rato.

A fotografia que está aqui em cima mostra aquilo que se sente quando se contacta com o Mário, que estamos com alguém que voltou a encontrar uma profunda alegria em brincar com a plasticina.

 

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Livros sugeridos

episódio 88 – Diogo Machado aka Add Fuel

O quarto convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Diogo Machado aka Add Fuel.

O Diogo é um artista que já queria ter entrevistado, mas fui adiando, até que surgiu a bela oportunidade de o “apanhar” durante esta série especial do Muraliza 2015.

O trabalho dele foi-me aparecendo na frente das mais variadas formas, e percebi desde logo que era um artista com um trabalho muito mais profundo do que possa parecer, e não apenas “um gajo que pinta azulejos em caixas de electricidade”.

Neste aspecto, durante a entrevista referi-lhe o facto de achar que o universo que ele representa, é para mim comparável ao trabalho de um Tim Burton ou um J. R. R. Tolkien, no sentido em que existe uma série de personagens, de cenários que vão construindo um mundo próprio, um mundo imaginado por ele, e que os trabalhos são como que fotografias, ou janelas para esse mundo.

Uma coisa que percebi, foi que o trabalho dele é sólido, porque como artista já está num patamar em que só chegam os grandes artistas, que arranjam processos, que têm a disciplina necessária para ser grandes e se manter lá.

Enquanto somos jovens muitos de nós conseguimos compensar a falta de processo, de sistema, de organização, e de disciplina, usando a energia que temos, dormindo apenas duas horas por noite, porque a idade assim o permite. Porém mesmo que consigamos aguentar durante algum tempo este castelo de cartas, eventualmente ele acaba por ruir, pois a solidez é construída da base, da fundação para cima, e é isso que o processo, os sistemas, a organização, e a disciplina têm como papel fundamental, são essa plataforma sólida à qual podemos subir e ver mais longe.

Assim o meu conselho para mim, neste momento, e para a minha versão de vinte anos, é:

“Organiza-te, estuda a tua maneira de estares no teu melhor, cria um sistema, e disciplina-te, para que nos dias em que não apetece, saibas exactamente o que deves fazer, e assim não viverás no arrependimento daquilo que podias ter feito, e daquilo que podias ter sido.”

Ah, e como nota final, nunca é tarde, mas começar hoje é sempre melhor do que amanhã.

 

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Livros sugeridos

episódio 87 – Frederico Soares Campos aka Draw

O terceiro convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Frederico Soares Campos aka Draw.

O Frederico estava algo atrasado na sua parede quando fomos tratar da entrevista, foi notória desde o início a sua preocupação com o que realmente interessa, e percebo perfeitamente que ter um gajo d’óculos a querer saber de processos criativos, não seria a coisa mais importante naquele momento.

Apesar disso houve momentos em que consegui sentir alguma ligação com ele, ligação essa que é importante para mim ter com as pessoas que entrevisto, pois assim conseguirei tirar mais informação para mim, e posteriormente para quem ouve.

Mais um jovem arquitecto como o Samina, mas do Porto como o Third, com o qual também partilha o facto de fazer parte do Colectivo Rua.

Quando acabei a entrevista, aquilo que me veio logo à cabeça foi como uma comparação entre mim e estes dois jovens, Samina e Draw, no sentido em que também sou arquitecto, mas eu ao contrário deles encarei o curso de arquitectura, e o ser arquitecto como um fim em si mesmo. Eles não, tiraram o curso mas exploraram aquilo que sempre os acompanhou, a arte, o desenho e a rua.

Não me quero comparar com eles ao nível artístico, mas é bom para mim perceber que mais importante do que um curso como destino final, é continuar a andar movidos por aquilo que nos faz felizes e realiza.

 

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Livros sugeridos

episódio 86 – Nuno Palhas aka Third

O segundo convidado desta semana especial dedicada ao Muraliza, Festival de Arte Mural de Cascais, é o Nuno Palhas aka Third.

A entrevista foi pouco tempo depois da entrevista do João Samina, e eu estava com receio da minha capacidade de entrevistar não tivesse sido reposta, porém assim que começamos a falar, percebo que o Nuno tem muito para dizer, e eu muito para aprender com ele, e a coisa acaba por fluir bastante bem.

O percurso dele, como ele diz é pautado por diversas paixões, que tem em comum o desenho, sempre o desenho, que faz com que se divida entre a ilustração, a street art, a modelação 3D, o design têxtil, e mais coisas, caso lhe despertem o interesse.

Disse-me uma coisa que por vezes me esqueço, mas que é realmente uma verdade:

“Quando estamos no início de uma coisa vamos ser todos fracos.”

Quando começamos, se começarmos com essa mentalidade, que os prodígios e talentos naturais são muito raros, e que a maior parte daqueles que admiramos, também eles já foram medíocres, e que é a determinação e o trabalho continuado que fazem os grandes artistas.

A melhor promoção que se pode fazer do nosso trabalho, segundo o Nuno, é dando o máximo em tudo o que fazes, como dizia o Fernando Pessoa “Põe quanto és no mínimo que fazes”, e muitas vezes culpamos (eu sofro deste mal) factores externos para não estarmos onde gostaríamos de estar, mas se pusermos a mão na consciência, sabemos que não subimos todos os degraus necessários para lá chegar.

O Nuno, vive de e para a sua arte, aquilo que o faz feliz, e é com essa felicidade que vem tudo o resto.

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