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Cafe-Dalma

episódio 111 – Café D’Alma

Os convidados desta semana são um, mas também são cinco. São um grupo, os Café D’Alma, mas também são o Nicholas Ratcliffe, a Nádia Sousa, o Jaime Ferreira, a Susana Amaral e a Bárbara Santos.

O Nicholas é professor de guitarra de um dos primeiros convidados, o João Banazol, e um dia em conversa com ele surgiu o grupo que o Nicholas tinha, e que seria interessante entrevistar um grupo inteiro.

Passado quase um ano desta conversa, comecei a falar com o Nicholas sobre essa possibilidade, e ele disse-me que daria jeito também ter a entrevista para algo que eles estão a desenvolver para lançamento do grupo.

A preparação que fiz foi um pouco diferente, estudei cinco pessoas de uma só vez, mas também tive de estudar e perceber o tos, os Café D’Alma.

Tive receio que a conversa fosse demasiado fragmentada ao dividi-la pelos cinco, mas não, talvez também pelo facto de o Nicholas e a Nádia terem de alguma forma tomado a seu cargo o falar sobre o grupo, sobre os processos e dinâmicas.

É um conjunto de pessoas, de percursos diferentes, mas que se quiseram juntar para fazer algo diferente para todos, pois embora tivessem tido projectos anteriores, alguns até semelhantes, neste tentam explorar novos territórios fazendo uma mistura rica e diversificada.

Eu admito que ao ouvir algumas coisas deles, senti algo de Madredeus, não sei se pela presença do violoncelo e do acordeão, mas são outra coisa, outro ambiente e uma outra alma.

Eu percebi que seria um desafio pôr todos a participar de maneira igual. Quando os conheci minutos antes da entrevista, alguns membros achavam que não teriam de  falar, e que seria mais fácil se soubessem o que eu ia perguntar. Tentei fazê-los rir, brincando com eles para diminuir o nervosismo, de tal forma que penso ter sido demasiado brincalhão durante a nossa conversa. Mas talvez tenha conseguido tirar mais deles por isso mesmo.

Espero que venham a ser grandes. Têm a sensibilidade, a vontade e a capacidade.

RicardoJose-Lopes-blog

episódio 84 – Ricardo José Lopes

O convidado desta semana é o Ricardo José Lopes, que conheci nas “Design Thinking Flash Sessions” organizadas pelo Rui Quinta e Tiago Nunes da With Company, anteriores convidados do podcast.

Quando nos conhecemos falou-se que eu tinha um podcast, e surgiu na conversa o artigo do Vitor Belanciano, “A mentira da Criatividade”, que ele disse conhecer pois também faz parte da Cooltrain Crew.

Ficámos em contacto, e ele sugeriu-me vários convidados, e eu decidi perguntar-lhe se ele próprio não gostaria de ser convidado. Disse que sim, marcámos um dia, e aí fui eu a Lisboa ter com ele, o primeiro local combinado, estava a fechar e fomos ao Landeau chocolate no Chiado. Algum barulho de fundo que sujou de alguma forma a conversa, mas nada em demasia.

Comemos um belo bolinho, e fomos conversando.

O Ricardo tem um percurso cheio de coisas que fez acontecer, ideias que surgiram, e vamos lá torná-las realidade, sempre com uma vontade de fazer bem, e acreditando sempre que era possível, e que iria correr pelo melhor.

Não me é fácil ver os projectos desta forma, ponho sempre tudo em causa, e o insucesso é aquilo que tenho garantido, tudo o que vier já não é mau.

Percebo que me saboto muitas vezes, que o medo me impede de apontar mais alto, e que se os resultados não têm tanto impacto, é apenas porque aponto demasiado baixo.

Não quero dizer que me deveria tornar numa besta arrogante que nunca tem dúvidas e que o sucesso é garantido, é sim acreditar naquilo que quero atingir, e aplicar todas as minhas capacidades nesse sentido, e se falhar, ter pelo menos a certeza que fiz tudo o que estava ao meu alcance.

As Lisbon Living Room Sessions, são um bom exemplo de uma ideia que surge porque o Ricardo não encontrava resposta a algo que gostaria de experienciar. Agiu, entrou em contacto com patrocínios, pensou como tornar realidade para ele e para outros, algo que sentiu como falha.

Parece fácil, visto de fora, mas só quem nunca se meteu numa coisa destas poderá pensar que é fácil, ou então que é fácil para o Ricardo, e que para si seria sempre mais difícil.

Como dizia o Henry Ford, “Quer acredites que consegues, quer acredites que não, tens sempre razão”.

 

 

 

 

 

Vitor-Belanciano-Blog

episódio 79 Vitor Belanciano

O convidado desta semana é o Vitor Belanciano, crítico de música, cronista no jornal Público, mas acima de tudo, confirmei isso no tempo em que estive com ele, um pensador, alguém que reflecte sobre as mais variadas questões relacionadas com o Ser humano.

O mês passado o Vitor escreveu um artigo que a Sónia Fernandes partilhou, intitulado “A mentira da criatividade”, artigo que também partilhei e que acho muito certeiro naquilo que eu considero ser a perspectiva “mentirosa” que muitas pessoas têm da criatividade.

Quis logo falar com ele sobre o artigo, (mas vou aqui também admitir, que há muito que sigo as suas críticas musicais e os seus artigos, e até acho que me posso considerar um fã do trabalho dele), e não quis perder a oportunidade de o conhecer pessoalmente. Poderia tê-lo feito numa festa de um amigo comum, onde estivemos os dois, mas na altura não tive a coragem.

Entrei em contacto com o Vitor, disse que gostaria de o entrevistar, e a resposta foi prontamente positiva, o que muito me entusiasmou.

Combinado o dia e hora, lá me dirigi ao local, que se revelou mais ruidoso do que o esperado, e acabámos por ir para casa dele. Por vezes durante a entrevista, os meus comentários são tímidos, a meia voz, para não querer interromper o Vitor, algo a aprender para uma próxima conversa.

Desde o momento que cheguei ao pé dele, a conversa começou a fluir, expliquei-lhe um pouco melhor o que é o Falar Criativo, o meu “why” desta aventura, aquilo que me move, e aquilo em que acredito ser a criatividade e como acho que posso ajudar outras pessoas a acreditar na sua veia criativa.

O percurso do Vitor é daqueles que eu acho muito interessante, um percurso aparentemente não linear, mas de procura, de achar que se pode fazer outras coisas, questionar os porquês e dizer, “porque não?”.

A conversa andou pelo teatro, pela música, pela antropologia, sobre a dificuldade das pessoas que querem levar uma vida de verdade, de autenticidade e como a criatividade e a autenticidade se podem revelar um caminho bastante solitário.

Não quero estragar o que é dito na entrevista, eu por mim conseguiria facilmente dar por mim a partilhar aqui quase tudo, pois a nossa conversa foi daquelas que me fez ligar a várias pessoas a seguir, quando ia no carro, a dizer que tinha sido uma conversa do “caraças” e que o Vitor além de ter confirmado a opinião respeitosa que tinha sobre ele, a superou, pelo seu lado extremamente acessível e humano.

Gostava de lhe ter dado um abraço quando me despedi dele, de ter tirado uma selfie, mas mais uma vez não tive a coragem, fiquei-me apenas por uma foto à sua estante de CD’s…repleta de verdades e autenticidades, reduzidas e embaladas em caixas de plástico.

 

A minha selfie.

estante cds

 

 

Miguel-Gizzas-blog

episódio 75 Miguel Gizzas

O convidado desta semana é o Miguel Gizzas, que é amigo de um grande amigo meu, e através daquelas conversas via facebook, pedi a esse meu amigo para nos pôr em contacto.

Entrei em contacto com o Miguel, que prontamente acedeu a conversar comigo, pois eu vinha “com óptimas referências” (o que é verdade).

Preparei a entrevista da forma que normalmente faço, procurando informação sobre o convidado, ouvindo outras entrevistas, lendo o que escrevem, etc., mas devo admitir que neste caso, fui surpreendido, e contente fiquei por o ter sido. Eu de algum tempo para cá deixei de seguir um “guião” para as entrevistas, permito-me escutar aquilo que me dizem, e o Miguel começou a falar num tema que me interessa bastante, que é a questão da felicidade, e o que é isso de ser feliz.

O Miguel disse-me que é feliz, e que aprendeu há uns anos o segredo para ser feliz (vão ter de ouvir, pois não vou revelar no texto, eheh).

A partir daí a conversa, centrando-se no seu livro, ou melhor romance musical, “Até que o mar acalme”, seguiu pelo caminho do puto curioso que sou que tenta através destas conversas, resolver questões que me inquietam, entre elas, a questão das escolhas, e neste tema em particular, o Miguel fala em não escolhermos algo só porque nos vai dar dinheiro, e vai contra os nossos princípios, pois como ele diz, vai nos “partir todo por dentro”, e que as decisões devem ser tomadas com o coração.

O Miguel formou-se em economia, tem duas empresas, deu aulas de gestão analítica, mas desde sempre teve contacto com a música, e algum dia havia de lá parar, e assim foi.

Falou do processo de “invenção” do conceito inovador de ter um romance, um livro, que por cada capítulo tem uma música que o acompanha, que se acede através de QR codes.

Sobre o fazer coisas, falou que o importante é começar, o estar dentro, a partir daí, temos uma noção bem mais real do que temos pela frente, e é mais fácil criar um plano de acção, e dessa forma não parar.

Há muita coisa nesta conversa que me apetecia referir, mas com o receio de estragar a quem quer ouvir, convido sim a ouvirem mais que uma vez, pois eu sei que o farei.

 

episódio 56 Tiago Neto

O convidado desta semana é o Tiago Neto, amigo de longa data, que já não via há uns dez anos, e que agora é DJ/produtor de música.

Aproveitei a “desculpa” de o Tiago fazer umas músicas para o voltar a ver.

Fui ter com ele à Costa da Caparica, junto à praia, depois de ele ter tido mais uma sessão de bodyboard.

Não sabia muito bem como direccionar a entrevista/conversa, mas sabia que queria saber mais sobre o mundo da música electrónica e de que forma o Tiago entende a música, e como faz.

O Tiago só começou a fazer música electrónica aos 29 anos, mais um exemplo que não é na adolescência que se têm de tomar as decisões para a vida.

A “cena” da música electrónica ou música de dança em Portugal, é pequena, e pelo que percebi sobrelotada. Algo que gera escassez para todos os que tentam vingar neste meio. Poucas discotecas dedicadas, e uma contaminação negativa por parte dos “êxitos” que passam nas rádios.

Parece que estamos a chegar a uma coisa que ouvi há muitos anos, que nos E.U.A. as músicas precisam sempre de letras, pois eles só estão felizes quando podem cantar enquanto dançam.

A música que o Tiago faz é complexa, envolve muitas variáveis, batida, loops, e todas aquelas coisas que eu apenas repito porque ouvi.

Mais uma pessoa que vai deixar o nosso país, a caminho da Austrália em busca de melhores oportunidades de fazer a música que acredita e conseguir viver disso.

O Tiago apesar de haver mais de vinte anos que o conheci, continua igual naquilo que sempre foi dele, um miúdo de olhar vivo, que procura ser feliz, só isso, ser feliz.