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Vitor-Belanciano-Blog

episódio 79 Vitor Belanciano

O convidado desta semana é o Vitor Belanciano, crítico de música, cronista no jornal Público, mas acima de tudo, confirmei isso no tempo em que estive com ele, um pensador, alguém que reflecte sobre as mais variadas questões relacionadas com o Ser humano.

O mês passado o Vitor escreveu um artigo que a Sónia Fernandes partilhou, intitulado “A mentira da criatividade”, artigo que também partilhei e que acho muito certeiro naquilo que eu considero ser a perspectiva “mentirosa” que muitas pessoas têm da criatividade.

Quis logo falar com ele sobre o artigo, (mas vou aqui também admitir, que há muito que sigo as suas críticas musicais e os seus artigos, e até acho que me posso considerar um fã do trabalho dele), e não quis perder a oportunidade de o conhecer pessoalmente. Poderia tê-lo feito numa festa de um amigo comum, onde estivemos os dois, mas na altura não tive a coragem.

Entrei em contacto com o Vitor, disse que gostaria de o entrevistar, e a resposta foi prontamente positiva, o que muito me entusiasmou.

Combinado o dia e hora, lá me dirigi ao local, que se revelou mais ruidoso do que o esperado, e acabámos por ir para casa dele. Por vezes durante a entrevista, os meus comentários são tímidos, a meia voz, para não querer interromper o Vitor, algo a aprender para uma próxima conversa.

Desde o momento que cheguei ao pé dele, a conversa começou a fluir, expliquei-lhe um pouco melhor o que é o Falar Criativo, o meu “why” desta aventura, aquilo que me move, e aquilo em que acredito ser a criatividade e como acho que posso ajudar outras pessoas a acreditar na sua veia criativa.

O percurso do Vitor é daqueles que eu acho muito interessante, um percurso aparentemente não linear, mas de procura, de achar que se pode fazer outras coisas, questionar os porquês e dizer, “porque não?”.

A conversa andou pelo teatro, pela música, pela antropologia, sobre a dificuldade das pessoas que querem levar uma vida de verdade, de autenticidade e como a criatividade e a autenticidade se podem revelar um caminho bastante solitário.

Não quero estragar o que é dito na entrevista, eu por mim conseguiria facilmente dar por mim a partilhar aqui quase tudo, pois a nossa conversa foi daquelas que me fez ligar a várias pessoas a seguir, quando ia no carro, a dizer que tinha sido uma conversa do “caraças” e que o Vitor além de ter confirmado a opinião respeitosa que tinha sobre ele, a superou, pelo seu lado extremamente acessível e humano.

Gostava de lhe ter dado um abraço quando me despedi dele, de ter tirado uma selfie, mas mais uma vez não tive a coragem, fiquei-me apenas por uma foto à sua estante de CD’s…repleta de verdades e autenticidades, reduzidas e embaladas em caixas de plástico.

 

A minha selfie.

estante cds

 

 

Miguel-Gizzas-blog

episódio 75 Miguel Gizzas

O convidado desta semana é o Miguel Gizzas, que é amigo de um grande amigo meu, e através daquelas conversas via facebook, pedi a esse meu amigo para nos pôr em contacto.

Entrei em contacto com o Miguel, que prontamente acedeu a conversar comigo, pois eu vinha “com óptimas referências” (o que é verdade).

Preparei a entrevista da forma que normalmente faço, procurando informação sobre o convidado, ouvindo outras entrevistas, lendo o que escrevem, etc., mas devo admitir que neste caso, fui surpreendido, e contente fiquei por o ter sido. Eu de algum tempo para cá deixei de seguir um “guião” para as entrevistas, permito-me escutar aquilo que me dizem, e o Miguel começou a falar num tema que me interessa bastante, que é a questão da felicidade, e o que é isso de ser feliz.

O Miguel disse-me que é feliz, e que aprendeu há uns anos o segredo para ser feliz (vão ter de ouvir, pois não vou revelar no texto, eheh).

A partir daí a conversa, centrando-se no seu livro, ou melhor romance musical, “Até que o mar acalme”, seguiu pelo caminho do puto curioso que sou que tenta através destas conversas, resolver questões que me inquietam, entre elas, a questão das escolhas, e neste tema em particular, o Miguel fala em não escolhermos algo só porque nos vai dar dinheiro, e vai contra os nossos princípios, pois como ele diz, vai nos “partir todo por dentro”, e que as decisões devem ser tomadas com o coração.

O Miguel formou-se em economia, tem duas empresas, deu aulas de gestão analítica, mas desde sempre teve contacto com a música, e algum dia havia de lá parar, e assim foi.

Falou do processo de “invenção” do conceito inovador de ter um romance, um livro, que por cada capítulo tem uma música que o acompanha, que se acede através de QR codes.

Sobre o fazer coisas, falou que o importante é começar, o estar dentro, a partir daí, temos uma noção bem mais real do que temos pela frente, e é mais fácil criar um plano de acção, e dessa forma não parar.

Há muita coisa nesta conversa que me apetecia referir, mas com o receio de estragar a quem quer ouvir, convido sim a ouvirem mais que uma vez, pois eu sei que o farei.

 

episódio 56 Tiago Neto

O convidado desta semana é o Tiago Neto, amigo de longa data, que já não via há uns dez anos, e que agora é DJ/produtor de música.

Aproveitei a “desculpa” de o Tiago fazer umas músicas para o voltar a ver.

Fui ter com ele à Costa da Caparica, junto à praia, depois de ele ter tido mais uma sessão de bodyboard.

Não sabia muito bem como direccionar a entrevista/conversa, mas sabia que queria saber mais sobre o mundo da música electrónica e de que forma o Tiago entende a música, e como faz.

O Tiago só começou a fazer música electrónica aos 29 anos, mais um exemplo que não é na adolescência que se têm de tomar as decisões para a vida.

A “cena” da música electrónica ou música de dança em Portugal, é pequena, e pelo que percebi sobrelotada. Algo que gera escassez para todos os que tentam vingar neste meio. Poucas discotecas dedicadas, e uma contaminação negativa por parte dos “êxitos” que passam nas rádios.

Parece que estamos a chegar a uma coisa que ouvi há muitos anos, que nos E.U.A. as músicas precisam sempre de letras, pois eles só estão felizes quando podem cantar enquanto dançam.

A música que o Tiago faz é complexa, envolve muitas variáveis, batida, loops, e todas aquelas coisas que eu apenas repito porque ouvi.

Mais uma pessoa que vai deixar o nosso país, a caminho da Austrália em busca de melhores oportunidades de fazer a música que acredita e conseguir viver disso.

O Tiago apesar de haver mais de vinte anos que o conheci, continua igual naquilo que sempre foi dele, um miúdo de olhar vivo, que procura ser feliz, só isso, ser feliz.

episódio 36 Thomas Anahory

O convidado desta semana é o Thomas Anahory, músico que já conta com dois álbuns editados.O Thomas entrou em contacto comigo porque ouviu uma entrevista do Falar Criativo. e perguntou-me se eu poderia divulgar o trabalho dele no blog.

Eu fui ao site dele e depois de ler que practicava bodyboard para descontrair (eu também já fui desses), e ver que desde a juventude a música fazia parte da sua vida, fiquei curioso de falar com ele.

Fui ter a casa dele, e desde logo me senti à vontade, pois a sua alegria e simpatia são contagiantes.

A conversa centrou-se como seria de esperar na música, no percurso do Thomas desde a sua banda no liceu os “Go!” até ao seu projecto actual a solo.

O Thomas trabalha como Sound Designer, ou seja o seu trabalho tem a ver com produção musical, ele trabalha sobre a música de outros interpretes, e tem também a necessidade criativa de partilhar com os outros aquilo que se vai passando na sua vida.

O primeiro álbum, o “So much of me” é como o próprio nome diz um disco muito pessoal, quase autobiográfico, e senti na nossa conversa que a escrita de canções é a forma que o Thomas tem de se exprimir.

O segundo álbum “Thank your lucky stars”, tem uma história de força e coragem envolvida no seu processo criativo, uma vez que o Thomas escreveu o album na convalescência de um transplante renal, onde a ausência das “distracções” normais de quem vai na corrente do esquema/trabalho, permite que a energia criativa se foque e gere resultados mais rápidos.

A história do Thomas é inspiradora e mostra que quando realmente temos de criar algo, o obstáculo é o caminho.

 

episódio 30 Bruno Pernadas

O convidado desta semana é o Bruno Pernadas, um músico que em Março de 2014 editou um albúm a solo com um título que eu achei muito interessante, “How can we be joyful in a world full of knowledge”, e daí surgiu a minha curiosidade em perceber de que forma isso se reflectia na sua forma de pensar.

Pelo que percebi durante a nossa conversa, interessa mais ao Bruno a pergunta que ter resposta para a mesma. Por essa razão fui com uma ideia feita sobre qual o caminho que achei que a conversa poderia tomar, e serviu-me de lição pois, as ideias feitas, são sempre um mau caminho, e dei por mim a improvisar um bocado.

Falámos de viver da música, mas de uma forma “composta”, que eu nunca tinha pensado, pois a música tem várias vertentes, o ensino, a intrepretação, a composição, etc., e é possível “viver da música”, sem ser só vender discos e dar concertos.

O Bruno divide-se em vários projectos, o que demonstra uma vontade de seguir uma via que decidiu cedo, aos 13 anos, que era algo que iria fazer para o resto da vida.

Para um músico de jazz provavelmente será mais difícil do que para um músico pop ou pop-rock, mas não lhe passa pela cabeça fazer cedências nesse sentido para poder ter uma vida mais fácil.

O Bruno parece-me um músico seguro que tem ideias claras relativamente àquilo que quer para si e para a sua música.

A música dele é muito rica, como se pode ouvir neste video.